
O Hospital Infantil Albert Sabin (Hias), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), promove, nos dias 11 e 12 de maio, ações alusivas à campanha Maio Furta-Cor. A iniciativa propõe sensibilizar a população sobre o cuidado com a saúde mental materna. No caso do contexto hospitalar, o intuito é falar sobre o suporte psicológico às mães que acompanham seus filhos durante o período de internação, aprofundando temáticas como medo, frustração e idealização da maternidade.
No período, as equipes de Psicologia irão realizar rodas de conversas e práticas integrativas nos setores de internamento, além da distribuição de material informativo e brindes temáticos.
A psicóloga do Hias, Emanuelle Brito, destaca que existem estigmas relacionados à saúde mental materna – geralmente é silenciada –, mas que ao se misturarem às preocupações e aos medos referentes à hospitalização da criança, podem se agravar mais ainda, sobretudo se a mulher estiver no puerpério.
“São crises interpostas. Ter um filho hospitalizado quando não se espera, principalmente, é muito angustiante, e o adoecimento é uma quebra de expectativa, bem como a incerteza da recuperação. Por isso, há a necessidade de escuta das mães para que elas consigam lidar com tudo isso”, explicou.
Além disso, o acompanhamento psicológico aborda o fortalecimento da autonomia da mulher, agregando suporte social e familiar, para que seja feito o reconhecimento dos próprios sentimentos também diante de desafios como o aleitamento materno, por exemplo, que pode gerar sentimento de culpa. “Ser mãe é um dos papéis possíveis da mulher. Nosso papel é fazer com que ela possa entender seu potencial e não ceda a idealizações, mas seja a mãe que ela consegue ser”, pontuou Brito.

Bruna de Melo Pereira (à esquerda), mãe de Wallace, de apenas sete meses, foi encaminhada direto do parto à internação no Hias para acompanhar o tratamento da síndrome do intestino curto de seu bebê. Foram seis meses dentro do hospital se entendendo como mãe, vivenciando o puerpério e angustiada pelas quatro cirurgias e as diversas intercorrências que o pequeno precisou enfrentar em tão pouco tempo de vida.
“Eu me vi o tempo todo aflita, com pensamentos negativos, unhas roídas. A cada cirurgia, eu achava que ele não ia voltar. Foi quando conheci a psicóloga, que me viu chorando e iniciou uma conversa. Depois entendi que estava vivendo um caso de depressão pós-parto e pude falar sobre as minhas dificuldades”, relatou a mãe, de 22 anos.
Vinda de Aracati e permanecendo praticamente sozinha, ela afirma que o acompanhamento foi um divisor de águas nesse período que enfrentou enquanto Wallace se recuperava. “Foi maravilhoso e me ajudou bastante. Com a Emanuelle eu me tranquilizava, desabafava, e foi essencial tanto para mim quanto para as outras mães que estão passando pela mesma situação”, disse.
A campanha comunitária Maio Furta-Cor tem como objetivo conscientizar sobre a causa da saúde mental materna durante todo este mês. A iniciativa considera o aumento no número de casos de depressão, ansiedade e suicídio entre mães e busca, com base em evidências científicas, estimular a construção de políticas públicas de saúde para essas mulheres.
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