
Um projeto de pesquisa e extensão, coordenado pelo professor Itaan Santos, da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), realizado em parceria com as Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e com a Universidade Estadual de Maringá (UEM), pode mudar o perfil político e econômico de comunidades nos territórios Campos e Lagos do Estado do Maranhão e na Ilha de Marajó, no Pará.
Iniciada em agosto deste ano, a pesquisa, que tem duração de 3 anos, se estenderá até agosto de 2026, e visa identificar os pontos fracos das comunidades no que diz respeito às atividades econômicas desenvolvidas em áreas territoriais.
No Maranhão, são 15 municípios alcançados: Arari, Vitória do Mearim, Cajarí, Viana, Penalva, Matinha, Olinda Nova, São João Batista, São Vicente de Ferrer, São Bento, Bacurituba, Pedro do Rosário, Bequimão, Cajapió e Palmeirândia.
Com o apoio de alunos da graduação, da pós-graduação e técnicos do Núcleo de Extensão e Desenvolvimento(Labex), o professor Itaan Santos relata que os estudos, que estão baseados no Edital Amazônia +10, está relacionado a uma metodologia chamada Cesta de Bens e Serviços Territoriais (CBST).
A fundamentação é identificar nas comunidades tradicionais e nos assentamentos de reforma agrária do Maranhão, em especial nos territórios dos Campos e Lagos, aquelas atividades que são desenvolvidas historicamente pelos agricultores, pescadores, quebradeiras de coco, ribeirinhos, indígenas e por quilombolas, com potencial para o empreendedorismo, retorno econômico, social e ambiental, mas que ao longo da história não tiveram êxitos por falta de apoio.
“Nossa ideia com a pesquisa é identificar essas atividades dentro desses municípios e apontar qual delas tem maior potencial de se transformar em ativo. Após isso, vamos sistematizar as informações e trabalhar com os projetos para disponibilizá-los ao poder público e privado, que farão a transformação dos produtos em potenciais negócios rentáveis, bem como investimentos em políticas de desenvolvimento e capacitação dos agentes locais”, disse Itaan Santos.
Na opinião do professor, o projeto reforçará uma rede de cooperação entre pesquisadores, estudantes e atores territoriais do Pará, do Maranhão, de Santa Catarina e do Paraná, além de estabelecer uma importante parceria internacional com organismos franceses. “Essa cooperação se dará por meio das seguintes etapas metodológicas: alinhamento teórico, coconstrução de instrumentos metodológicos, diagnóstico, visitas técnicas, edificação de comunidades de prática; e análise de dados e elaboração do plano de divulgação científica”, relata o pesquisador.
Como resultado, o professor aponta, ainda, que os estudos almejam aprimorar o enfoque teórico-metodológico da CBST, considerando as condições socioeconômicas da Amazônia, inventariar produtos e serviços territoriais específicos e atores envolvidos na governança territorial no Pará e no Maranhão.
Além de analisar legislações que normatizam as agroindústrias familiares e o turismo rural, promover intercâmbios técnico científicos entre pesquisadores, associações civis, empresas privadas e órgãos públicos e organizar uma Escola de Verão e das Águas para formação de agentes de desenvolvimento rural baseada na abordagem da CBST.
Ao longo do desenvolvimento do projeto haverá a elaboração de cinco dissertações de mestrado, três teses de doutorado e oito trabalhos de conclusão de curso de graduação, além de sete apresentações de trabalhos em eventos científicos, seis artigos submetidos em periódicos qualificados nacionais e internacionais e um livro.
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