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Em Santa Inês, Uema forma 11 educadoras indígenas em Licenciatura Intercultural para a Educação Básica

A Universidade Estadual do Maranhão (Uema) realizou a solenidade de diplomação oficial da primeira turma em Licenciatura Intercultural para a Educa...

21/08/2023 às 20h41
Por: Redação Portal Verdes Campos Sat Fonte: Secom Maranhão
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- Diplomação em Licenciatura Intercultural para Educação Básica Indígena. (Foto: Handson Chagas).
- Diplomação em Licenciatura Intercultural para Educação Básica Indígena. (Foto: Handson Chagas).

A Universidade Estadual do Maranhão (Uema) realizou a solenidade de diplomação oficial da primeira turma em Licenciatura Intercultural para a Educação Básica Indígena de Santa Inês, na Comunidade Indígena Januária, nesta segunda-feira (21). O curso, que teve duração de quatro anos, formou 11 mulheres indígenas educadoras para assumirem a escolarização em seus territórios.

As titulações marcam o compromisso do Governo do Maranhão com todos os integrantes da diversidade étnica do estado, principalmente na área da educação, que dá suporte a todas as outras políticas públicas. Por meio do Programa de Formação Docente para a Diversidade Étnica do Maranhão (Proetnos), a Uema é a única universidade do Maranhão que possui curso de graduação destinado exclusivamente para os povos indígenas. A iniciativa pioneira de licenciatura é ofertada nas modalidades de Ciências da Linguagem, Humanas e da Natureza.

Representando a Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular(Sedihpop), a secretária Adjunta dos Direitos dos Povos Indígenas, Rosilene Guajajara, que é licenciada em Ciências da Linguagem para a Educação Básica Indígena, comemorou as titulações como mais uma vitória à educação e aos povos originários.

“Tem sido de grande importância para nós povos indígenas, principalmente para os professores indígenas que, por meio desse curso, tiveram a oportunidade de obterem o seu nível superior e contribuir com seu povo em suas comunidades. Por meio deste curso, eu também tive a oportunidade de ter a minha especialização em Ciências da Linguagem”, comemorou a secretária adjunta da Sedihpop.

Na ocasião, o coordenador pedagógico do Programa de Formação Docente para a Diversidade Étnica do Maranhão (Proetnos), Sérgio Nunes, enfatizou o pioneirismo da Uema no Maranhão, na oferta de três modalidades de licenciatura em educação básica indígena.

“A partir de 2016, criou-se de forma pioneira no Maranhão a primeira Licenciatura de Educação Básica Indígena do Estado. Ou seja, é a única universidade do Maranhão que oferta licenciatura básica indígena. Os cursos são em Licenciatura da Natureza, em Linguagem e em Licenciatura Humana”, disse o coordenador do Proetnos.

Para o professor Glauberth Guajajara, as graduações da Uema, por meio do Programa de Formação Docente para a Diversidade Étnica do Maranhão (Proetnos), estão conseguindo ajustar a demanda por professores indígenas formados para as comunidades.

“É uma satisfação enorme receber da Uema, neste protocolo solene de diplomação dos nossos graduados e que também são professores indígenas. É um momento de felicidade para a comunidade, uma vez que a gente vem de uma dinâmica de atividades para conseguirmos ter mais professores indígenas formados. Ver a primeira turma de Licenciatura Intercultural sendo diplomada é uma enorme satisfação. Todos os esforços tiveram resultados”, pontuou o educador.

Agora diplomada, a professora Maria José Guajajara falou, emocionada, sobre o quão grande é a satisfação em estar graduada e em prol da sua comunidade. “Estou totalmente realizada, e é até emocionante, porque a gente já se sente a primeira turma graduada em Licenciatura Intercultural, que começou em 2016 e foi formada em 2022. Para nós é uma satisfação e uma alegria imensa, o coração da gente se alegra por estar nesse espaço para receber o diploma”, disse a indígena.

Ana Maria Guajajara também falou da emoção que é participar de um sistema educacional mais inclusivo, respeitoso e em benefício dos povos indígenas. “Hoje, para todas nós, é um sonho realizado. A gente está se formando para trazer melhorias para dentro da nossa aldeia e da nossa escola”, comemorou a professora.

Licenciatura em Educação Quilombola

No campus de São Bento, que junto ao do município de Itapecuru são pioneiros em Licenciatura em Educação Quilombola no Brasil, as aulas da segunda turma da graduação iniciaram na última sexta-feira (18), por meio do Programa de Formação Docente para a Diversidade Étnica do Maranhão (Proetnos) da Universidade Estadual do Maranhão (Uema).

A partir da graduação em Educação Quilombola, os licenciados formados estarão aptos para assumirem o processo de escolarização em suas comunidades e em quilombos, contribuindo para o fortalecimento identitário.  

Para a pró-reitora de Graduação da Uema, Mônica Piccolo, ao promover os cursos de licenciatura aos jovens das comunidades tradicionais, é possível gerar ganhos duplos, uma vez que se trabalha a reparação histórica e se promove a transformação na produção de conhecimento dentro das universidades.

“O Proetnos é uma das ações da Uema que eu tenho mais orgulho de divulgar, é uma ação que permite que comunidades segregadas historicamente do espaço universitário possam entrar na universidade e, principalmente, transformar a universidade também, porque a produção de conhecimento é uma via de mão dupla. A incorporação dos povos originários e quilombolas também transforma a universidade”, pontuou a gestora.

Aluno de Licenciatura em Educação Quilombola, Elthon Moraes, fala da capacidade transformadora do conhecimento nas comunidades e sobre a sua meta em se tornar um multiplicador da educação. “A gente está aqui para aprender os conhecimentos que nos foram negados, e para que a gente possa repassar para as pessoas da nossa comunidade e aos demais quilombolas que necessitam desse conhecimento. Então, após o curso, eu pretendo ficar na minha comunidade e repassar o que estou aprendendo”, afirmou o estudante.

Para a estudante Fabiana Borges, a implantação da graduação em São Bento é um privilégio e um reconhecimento à importância das comunidades quilombolas. “Aqui, há importância de levar às nossas comunidades, que são quilombolas. Ter o privilégio de fazer essa faculdade é resultado de anos de luta, inclusive junto à professora Marivânia. Deu tudo certo e estamos na faculdade. E há uma outra importância nisso, que é um reconhecimento a cada um de nós que somos quilombolas”, disse a graduanda.

Campus do Proetnos

Levando em consideração a proximidade com os territórios indígenas de etnias a exemplo dos Tentehar-Guajajara e Krikati, o Proetnos foi implementado em quatro cidades, sendo Barra do Corda, com o curso Licenciatura Intercultural para a Educação Básica Indígena em Ciências Humanas; Grajaú, com o de Licenciatura Intercultural para a Educação Básica Indígena em Ciências da Linguagem; Santa Inês, com de Licenciatura Intercultural para a Educação Básica Indígena em Ciências da Natureza; e São Bento e Itapecuru, com o curso de Licenciatura em Educação Quilombola.

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