
A intensificação da fiscalização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) a partir deste ano marca uma mudança na forma como as empresas brasileiras lidam com a saúde mental no trabalho. O tema, antes tratado como pauta de bem-estar, passa a integrar o campo da responsabilidade legal e organizacional. Especialistas alertam que ignorar riscos psicossociais representa agora um risco jurídico concreto.
Segundo as diretrizes do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), estabelecido pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), fatores como sobrecarga emocional, estresse crônico, assédio e organização do trabalho devem constar no mapeamento de riscos ocupacionais. A medida exige das empresas capacidade de leitura da cultura organizacional que vai além dos relatórios técnicos.
Neste contexto chega ao mercado o livro "A Cor Dar", da escritora e especialista em comportamento humano Ana Winckler. A obra, apresentada em pré-lançamento em novembro de 2025, tem sido utilizada como ferramenta de apoio à formação de líderes e profissionais de RH, compliance e jurídico.
Saúde mental como responsabilidade compartilhada
O aumento dos afastamentos por transtornos mentais e das ações trabalhistas relacionadas a assédio e Burnout é acompanhado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST). Dados da Previdência Social indicam que os transtornos mentais figuram entre as principais causas de afastamento, gerando impacto em custos e passivo jurídico.
Para Ana Winckler, o ponto central da NR-1 é cultural. "A norma deixa claro que saúde mental não é um problema do indivíduo isolado. Ela é resultado de sistemas, práticas de gestão, metas e recompensas. Isso transforma o tema em uma responsabilidade coletiva, que envolve liderança, RH e alta gestão".
O risco mora onde o dashboard não alcança
Um dos desafios na adequação à norma é mensurar elementos subjetivos, como "exigência emocional" e "intensidade do trabalho". É neste ponto que o livro atua como ferramenta complementar de sensibilização.
"A planilha mostra o número. O dashboard mostra o indicador. Mas o corpo, o comportamento e a narrativa das pessoas mostram o risco antes", explica Winckler. "A literatura permite que líderes reconheçam sinais emitidos fora dos sistemas formais — como mudanças de humor ou heroísmo tóxico — que, quando ignorados, podem resultar em adoecimento e ação judicial."
Na obra, personagens funcionam como arquétipos comportamentais que auxiliam na identificação de padrões de sofrimento psíquico naturalizados nas organizações.
Tendência global e Janeiro Branco
Segundo a International Stress Management Association (ISMA-BR), o Brasil figura entre os países com maior incidência de Burnout. Globalmente, a Convenção 190 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) reforça que a violência e o assédio no trabalho devem ser prevenidos como obrigação organizacional, movimento acompanhado pela norma brasileira.
O lançamento oficial de "A Cor Dar" ocorre durante o Janeiro Branco, mês dedicado à conscientização sobre saúde mental, coincidindo com o início do ano fiscal e a revisão de políticas de compliance.
"A obra não ensina apenas a cumprir a lei, mas ajuda a não ignorar os sinais. É um convite para que líderes e empresas aprendam a enxergar o que já está sendo emitido antes que o custo seja humano, financeiro e jurídico".
Sobre a autora
Ana Winckler é escritora, especialista em comportamento humano e estrategista de liderança. Atua apoiando organizações na construção de culturas saudáveis, com o desenvolvimento de metodologias próprias, como a Mentoria Prismática. Na literatura, transforma narrativas corporativas em instrumentos de leitura dos sinais humanos que antecedem o adoecimento. "A Cor Dar" é sua obra de estreia.
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