
O Maranhão ocupa o 12º lugar entre os estados com mais denúncias de trabalho escravo e de condições análogas à escravidão, segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). São Luís, Grajaú, Imperatriz e Mirador aparecem entre os municípios com mais registros no Estado.
Na capital São Luís, a aposentada Isabel diz que começou a trabalhar ainda na infância, após ser trazida do interior do Maranhão. Ela afirma que teve direitos negados e passou anos sem estudar. “Apesar de nem saber que estava trabalhando, eu tomava conta das crianças, seja em casa ou na praia, onde estivesse”, afirmou.
Ela conta que os irmãos chegaram a procurá-la na capital, mas não conseguiam encontrá-la. Hoje, Isabel atua à frente do Sindicato das Trabalhadoras Domésticas do Estado do Maranhão (STDM) e participa de ações contra o trabalho escravo e situações semelhantes.
No Brasil, as denúncias chegaram a um recorde em 2025: foram cerca de 4.515 registros, alta de 14% em comparação com 2024, de acordo com o levantamento.
Os relatos envolvem jornadas exaustivas, trabalho por dívida, condições degradantes, trabalho infantil e até restrição de liberdade. No Maranhão, foram registradas 59 denúncias e 97 violações de direitos humano em 2025.
A pesquisadora Flávia Moura, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), afirma que há casos de violência extrema contra trabalhadores resgatados, incluindo agressões e marcas no corpo. Ela diz que algumas vítimas também apresentam problemas psicológicos, como síndrome do pânico, especialmente após tentativas de fuga de fazendas no interior do estado. Segundo a pesquisadora, as sequelas atingem também familiares.
De 1995 até hoje, foram realizadas cerca de 8 mil fiscalizações no Brasil, com mais de 65 mil pessoas resgatadas dessas condições. Em 2024, 2.186 trabalhadores foram retirados de situações de exploração, principalmente nos setores da construção civil e do agronegócio.
Segundo os dados, 30% dos resgates ocorreram em áreas urbanas, com 90 trabalhadores libertados em operações do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Polícia Federal (PF).
A vice-procuradora-chefe do MPT no Maranhão, Renata Soraya Dantas, afirma que o poder público tem atuado para resgatar trabalhadores, garantir o pagamento pelos serviços prestados e evitar que novas violações aconteçam.
(Foto: Reprodução/MPT)
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