
Uma obra da RD Saúde, grupo farmacêutico que representa a Drogasil, foi embargada pela prefeitura do Recife por supostas irregularidades na construção. A medida foi tomada depois que a empresa adquiriu o terreno e demoliu um antigo sobrado que havia no local para construir uma farmácia da rede
A gestão municipal informou que aplicou uma multa de quase R$ 130 mil. A empresa tem um prazo de 30 dias para apresentar a defesa. O caso também é investigado pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE).
O imóvel fica no número 41 da Rua do Futuro, no bairro das Graças. Procurada, a RD Saúde disse, também por meio de nota, que "prestou esclarecimentos à prefeitura e colabora com as autoridades para a retomada da obra".
A casa tinha dois pavimentos e colunas de tijolos aparentes, com muro baixo e jardim. De acordo com moradores, a residência foi demolida no dia 19 de setembro. O advogado e professor de direito ambiental Sergio Urt Moraes mora próximo ao local e percebeu que a vegetação ao redor da casa estava sendo removida dias antes da demolição.
"Na terça-feira, no dia 15 de setembro, logo cedo, por volta das 8h, ouvi barulho de motosserra, cortando árvores. [...] Eu desci e perguntei à pessoa que estava lá na frente, tinha uma equipe grande, que estava já arrancando as grades da casa, tudo. Perguntei aos operários se havia alguma autorização da prefeitura para o corte daquelas árvores e eles não tinham", explicou.
Ainda de acordo com Sergio, também não havia placa de obra com identificação de engenheiro ou técnico responsável. Ele questionou sobre a comunicação dos cortes à prefeitura, mas o trabalho continuou. No dia 19, ele voltou a ouvir barulho de demolição, foi até o local e solicitou explicações.
"Quando eu olhei, já tinha uma máquina enorme dentro da casa, derrubando tudo. Ela é uma casa alta, de primeiro andar, uma casa grande. E ali eu fiquei preocupado de fato, porque era uma escavadeira grande, sem nenhum tipo de cuidado, de contenção. Os destroços estavam todos se espalhando na calçada, pela rua", afirmou.
O professor universitário disse, ainda, que, durante a demolição, pediu para ver a autorização da obra e não havia nenhuma documentação. Ele também acionou a Diretoria Executiva de Controle Urbano do Recife (Dircon) e a Polícia Militar.
"Eles não tinham nenhum documento, não tinham nenhum engenheiro responsável, não tinham o alvará, não tinham a placa de obra. Eles não pararam. Eu fiz de imediato a ligação para a Polícia Militar, pedi urgência, saí do local. Quando a polícia chegou, eu fiz o comunicado aos policiais. E, nesse meio tempo, eu fiz denúncias à Secretaria do Meio Ambiente e à Dircon", contou.
Ele também procurou o Ministério Público para poder realizar a denúncia sobre o caso.
"Quando foi na terça-feira da outra semana, acho que foi por volta do dia 29, eu me dirigi até o Ministério Público e fiz o relato da situação diretamente à Promotoria de Urbanismo e Habitação. De imediato, a promotoria acionou a Dircon para que fosse lá fazer a averiguação e a fiscalização. Quando foi ao local, viu que não tinha nada, embargou a obra", afirmou.
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