
O Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV) divulgou a atualização de 2026 do Portal IRIS, sigla para Indicadores Rodoviários Integrados de Segurança. A ferramenta reúne dados das 27 unidades da Federação e os transforma em informações estratégicas para apoiar o planejamento, a definição de prioridades e o acompanhamento de políticas públicas de segurança viária no país.
A nova edição utiliza dados referentes a 2024 e permite comparar o desempenho dos estados e do Distrito Federal com o levantamento anterior, relativo a 2023. O sistema de classificação, que vai de uma a cinco estrelas, considera os seis pilares do Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans): Gestão da Segurança no Trânsito, Vias Seguras, Segurança Veicular, Educação para o Trânsito, Atendimento às Vítimas e Normatização e Fiscalização, além de um sétimo indicador dedicado à mortalidade.
Além de estabelecer um ranking, o IRIS busca evidenciar avanços, desigualdades e fragilidades específicas de cada unidade da Federação, oferecendo subsídios para que gestores identifiquem prioridades e direcionem recursos e ações para as áreas com maior necessidade de aprimoramento.
"Quando os dados são organizados, comparados e transformados em informação acessível, aumentamos a capacidade dos gestores de tomar decisões mais assertivas. O IRIS mostra onde estão os avanços, mas também evidencia as lacunas que precisam ser enfrentadas para que a segurança viária evolua de maneira consistente em todo o país", afirma Paulo Guimarães, CEO do Observatório Nacional de Segurança Viária.
Resultados mostram diferentes realidades no país
Na classificação geral de 2026, o Distrito Federal manteve o melhor desempenho, com quatro estrelas, seguido por Rio de Janeiro, com 3,9, e Goiás, com 3,8. São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Ceará aparecem na sequência, com 3,4 estrelas. Na outra extremidade estão Maranhão, Acre, Amapá e Amazonas.
A comparação entre os dados de 2023 e 2024 mostra, entretanto, que mudanças importantes podem ocorrer em períodos relativamente curtos. Roraima apresentou o maior avanço na classificação média, seguido por Pará, Piauí, Bahia e Minas Gerais.
Os resultados também indicam que não existe um padrão regional uniforme. Estados vizinhos apresentam, muitas vezes, desempenhos e trajetórias diferentes, o que demonstra a influência de fatores institucionais, operacionais e tecnológicos próprios de cada unidade da Federação sobre a capacidade de desenvolver políticas de segurança viária.
Diagnóstico orienta prioridades
No pilar Gestão da Segurança no Trânsito, o Distrito Federal obteve a maior nota, enquanto Bahia, Piauí e Roraima registraram os avanços mais expressivos em comparação com o levantamento anterior. Entre os desafios identificados estão a baixa integração de municípios ao Sistema Nacional de Trânsito, a incompletude dos dados registrados no Registro Nacional de Sinistros e Estatísticas de Trânsito (Renaest) e a falta de informações sobre gestão, fiscalização e educação nos portais de alguns órgãos estaduais.
A integração ao Sistema Nacional de Trânsito é relevante porque permite aos municípios exercer atribuições como engenharia de tráfego, educação para o trânsito e fiscalização. Mais de 25 anos após a criação do atual Código de Trânsito Brasileiro (CTB), uma parcela significativa dos municípios ainda não está formalmente integrada ao sistema.
Na Educação para o Trânsito, o Rio de Janeiro liderou a classificação, enquanto Piauí, Pará e o próprio Rio de Janeiro registraram os maiores crescimentos. O levantamento considera indicadores relacionados à habilitação de motociclistas e a comportamentos de risco, como consumo de bebida alcoólica, excesso de velocidade, falta de dispositivos de retenção para crianças e uso do celular ao volante.
Já no pilar Normatização e Fiscalização, o estudo aponta diferenças na cobertura tecnológica, na aplicação da legislação e na capacidade de registrar infrações. O Distrito Federal obteve a maior nota, seguido por Goiás. Roraima, Santa Catarina e Rondônia apresentaram os maiores avanços entre 2023 e 2024.
O Observatório ressalta que um número reduzido de infrações registradas não representa necessariamente um trânsito mais seguro. O resultado também pode indicar fiscalização insuficiente, baixa disponibilidade de equipamentos ou subnotificação. Por isso, os indicadores precisam ser analisados de forma conjunta e contextualizada.
Informação pode salvar vidas
Ao identificar fragilidades específicas, o Portal IRIS permite que cada unidade da Federação estabeleça prioridades mais adequadas à sua realidade. Os resultados podem orientar a integração de bases de dados, a ampliação da fiscalização, o fortalecimento das ações educativas, o apoio técnico e a definição de metas mensuráveis.
Para a população, o aprimoramento desses pilares pode representar vias mais seguras, fiscalização mais eficiente, prevenção de comportamentos de risco, melhor atendimento às vítimas e políticas públicas fundamentadas em evidências. Na prática, essas medidas podem contribuir para reduzir a ocorrência e a gravidade dos sinistros e preservar vidas.
Por apresentar uma análise comparativa, o IRIS não deve ser interpretado como uma medida isolada ou definitiva da segurança viária. Seu principal valor está na identificação de tendências, disparidades e oportunidades de melhoria. Com atualizações periódicas, o portal permite acompanhar a evolução das unidades da Federação e avaliar os resultados das intervenções realizadas.
Sobre o Observatório Nacional de Segurança Viária
O Observatório Nacional de Segurança Viária é uma organização da sociedade civil dedicada ao desenvolvimento de estudos, pesquisas, projetos e ações voltados à construção de um trânsito mais seguro. Por meio da produção e disseminação de conhecimento técnico, a instituição contribui para qualificar políticas públicas, apoiar organizações e conscientizar a sociedade sobre a importância da preservação da vida no trânsito.
O painel interativo do IRIS está disponível em: https://onsv1.shinyapps.io/iris/
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