
O Programa de Gerenciamento Antimicrobiano (PGA) do Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara (HGWA), unidade da rede da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), é uma iniciativa que busca otimizar o uso de medicamentos, garantindo que cada paciente receba o tratamento mais adequado para sua condição. O antimicrobianos são remédios usados para combater micro-organismos que causam infecções, como bactérias, vírus, fungos ou parasitas. O objetivo central do programa é assegurar o medicamento certo, na dose correta, pelo tempo necessário, promovendo a recuperação clínica com segurança e prevenindo complicações decorrentes do uso inadequado desses fármacos.
O PGA atua principalmente no controle de infecções que necessitam do uso de antibióticos ou outros antimicrobianos estratégicos. Ele também visa prevenir o surgimento de bactérias multirresistentes. O programa é estruturado para acompanhar de perto cada prescrição, ajustando doses, tempo de tratamento e a via de administração — endovenosa ou oral — conforme a evolução clínica e os resultados laboratoriais.
Os resultados do programa no primeiro semestre de 2025 mostram sua efetividade. Ao todo, 1.088 pacientes foram acompanhados, com 100% de cobertura de leitos e pacientes elegíveis. A taxa de aceitabilidade das estratégias propostas ultrapassou 99,9%, evidenciando a adesão da equipe médica e de enfermagem. Segundo o farmacêutico responsável líder do programa, Alan Rodrigues, o sucesso desses resultados está na atuação integrada da equipe.
“Todo paciente que inicia o uso de antimicrobianos estratégicos já é inserido no programa, e nenhum perde acompanhamento, mesmo em transferências intra-hospitalares. A ficha de acompanhamento permanece com o farmacêutico clínico quando o paciente é transferido ou recebe alta, evitando qualquer perda de seguimento”, explica. Alan detalha ainda que o PGA possui 14 estratégias terapêuticas, incluindo ajuste de doses, gerenciamento do tempo de tratamento e a terapia sequencial oral, que permite a transição segura do tratamento endovenoso para a oral quando o paciente apresenta condições clínicas adequadas.

Para a gerente da farmácia, Anamily Rego, o principal objetivo do PGA é garantir uso racional de antimicrobianos, oferecendo o tratamento certo no tempo certo. “Hoje conseguimos atender 100% dos pacientes internados no Waldemar que se enquadram nos critérios. É um programa consolidado, com resultados mensuráveis, como a redução do tempo de tratamento e a transição mais eficiente da terapia endovenosa para oral. O envolvimento dos farmacêuticos clínicos é fundamental para esse sucesso”, afirma.
O programa também se destaca pelo impacto econômico e operacional, com estratégias aprovadas pela equipe assistencial e resultados que indicam alta efetividade. “Nossa atuação conjunta com infectologistas, médicos assistenciais e enfermeiros garante segurança, efetividade terapêutica e redução de custos, além de possibilitar alta hospitalar mais precoce quando o paciente é elegível”, complementa Alan Rodrigues.
O médico infectologista e coordenador do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH), Braúlio Matias, reforça o impacto do programa na segurança do paciente: “O uso racional de antimicrobianos melhora os desfechos clínicos, reduz o tempo de internamento e minimiza riscos de eventos adversos, como infecções associadas à assistência à saúde, quedas e complicações medicamentosas. Além disso, o PGA ajuda a prevenir toxicidade renal, hepática e hematológica, desenvolvimento de colite pseudomembranosa (inflamação grave do intestino grosso que geralmente ocorre após o uso de antibióticos), entre outras coisas”.
Por meio do PGA, farmacêuticos clínicos e infectologistas do SCIH avaliam diariamente todas as prescrições de antimicrobianos na instituição. Sobre a prevenção da resistência bacteriana, Braúlio explica: “quanto mais expomos bactérias a antimicrobianos sem indicação precisa, maior o risco de desenvolvimento de resistência. O PGA garante a droga certa, na dose correta, pelo tempo necessário, ajustando o tratamento após resultados de cultura e promovendo educação contínua com o corpo clínico. Isso é fundamental para reduzir a multirresistência bacteriana e promover a cura clínica do paciente”, finaliza.
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