
Criminosos estão utilizando inteligência artificial para clonar vozes de profissionais do Direito e aplicar golpes cada vez mais sofisticados. O alerta foi feito pela presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso (OAB-MT), Gilsela Cardoso, que revelou que a fraude agora se passa não apenas por advogados, mas também por promotores de Justiça e juízes.
Como funciona o golpe
Segundo a OAB, os golpistas acessam processos judiciais eletrônicos para obter dados detalhados sobre vítimas e seus casos. Em seguida, uma equipe especializada faz contato, utilizando jargões jurídicos corretos para conquistar a confiança.
Na etapa final, os criminosos prometem um grande valor em indenização ou ganho de causa, mas exigem que a vítima faça um depósito antecipado de uma suposta taxa — que pode chegar a dezenas de milhares de reais.
O uso da Inteligência Artificial
A presidente da OAB-MT destacou que o diferencial desse novo golpe é o uso da tecnologia para clonar vozes reais.
“Recebi um áudio de uma advogada com a voz dela, trabalhada na inteligência artificial”, relatou Gilsela.
Combinado ao acesso de informações reais dos processos, esse recurso tem convencido até as pessoas mais cautelosas.

(Foto:Reprodução/Assessoria)
A OAB alerta
A entidade orienta que os cidadãos desconfiem de contatos feitos por números desconhecidos, mesmo que se apresentem como autoridades jurídicas.
Nunca transfira valores sem confirmar a informação diretamente com seu advogado, de preferência presencialmente ou por um número já conhecido
A presidente também levantou a hipótese de envolvimento de profissionais com acesso interno aos sistemas. “Acho que é difícil um advogado hoje que não teve o seu nome utilizado”, afirmou Gilsela, destacando que a polícia investiga possível participação de advogados ou servidores do Judiciário.
Investigações e medidas
A OAB nacional está em diálogo com os tribunais para restringir o acesso a informações sensíveis nos processos eletrônicos, como os do PJE, com o objetivo de dificultar a ação dos criminosos sem comprometer a transparência.
Até o momento, mais de 2 mil boletins de ocorrência já foram registrados, mas o número real de vítimas pode ser muito maior, já que muitos não denunciam por vergonha.
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