
Eric Fernando Paiva Martins, de 27 anos, nasceu com fissura labiopalatina e procurou atendimento no Hospital Dr. Carlos Macieira (HCM), em São Luís, no início do mês de abril. O hospital, da rede da Secretaria de Estado da Saúde (SES), dispõe de Serviço de Deformidade Crânio-Maxilo-Facial, com atendimento ambulatorial e cirúrgico para pessoas que precisam de cirurgias corretivas nesta especialidade.
A Rede Estadual de Saúde conta com o Serviço de Deformidades MaxiloFaciais no Hospital Dr. Carlos Macieira; Hospital Infantil Dr. Juvêncio Mattos; Unidade Sorrir e a Maternidade de Alta Complexidade do Maranhão, com equipe multiprofissional e assistência referenciada para pacientes fissurados que devem começar o tratamento logo após o nascimento e prosseguir com cirurgias ao longo dos anos. Em 2022, o Hospital Dr. Carlos Macieira realizou 450 consultas de pacientes em bucomaxilo e 50 cirurgias da especialidade. As unidades são gerenciadas pelo Instituto Acqua.
Eric Fernando fez a primeira cirurgia logo após o nascimento, mas não conseguiu prosseguir com as cirurgias seguintes. “Minha mãe na época tentou conseguir a segunda cirurgia, mas não deu certo, e agora consegui vir aqui no hospital para fazer a segunda cirurgia”, contou. Após avaliação dos exames, a cirurgia foi realizada em 11 de abril. No caso do Eric, o tratamento ainda continuará depois com mais duas cirurgias corretivas. “A expectativa é grande porque vai melhorar muito minha relação com as pessoas, meus relacionamentos, eu já sofri muito bullying por conta disso”, ponderou o paciente.
O tratamento de pessoas com fissuras labiopalatinas não é somente estético. A correção auxilia na linguagem (fala e audição), na deglutição da alimentação, e em outros aspectos psicológicos que afetam os pacientes. A assistência é feita por equipe multiprofissional, que inclui profissionais das áreas de Odontologia, Medicina, Enfermagem, Fisioterapia, Psicologia, Fonoaudiologia, Serviço Social e Nutrição, como explicou o cirurgião Júpiter Newler Lopes Duarte.
“O processo de correção de fissuras tem relação com a idade. Alguns casos exigem uma outra etapa, que é a cirurgia ortognática. Muitas famílias se acomodam após a correção da deformidade labial e por isso muitas pessoas na fase adulta buscam ajuda depois, como é o caso do Eric”, disse Júpiter.
Ingrid Araújo Oliveira, também cirurgiã bucomaxilofacial do hospital, já atendeu pacientes de mais de 60 anos que procuraram o serviço. “O perfil do público aqui no hospital são adolescentes e adultos, a partir dos 14 anos. Nosso trabalho em rede tem estimulado o tratamento especializado desde o nascimento, quando a criança nasce com deformidade na maternidade, para que a família possa acompanhar essa assistência ao longo do desenvolvimento do paciente”, ressaltou.
O fluxo inicia ainda na Maternidade de Alta Complexidade, porque o diagnóstico é intrauterino para os bebês que vão nascer fissurados. Depois, o seguimento da assistência no Hospital Dr. Juvêncio Mattos, e por fim, no Hospital Dr. Carlos Macieira.
As duas primeiras cirurgias são feitas com 6 meses de idade e depois com 1 ano. São intervenções no lábio (a quiroplastia) e no palato. Com 4 anos de idade o paciente é encaminhado para ortodontista (dentista responsável pelo crescimento da face). No Sorrir, os atendimentos são feitos pelo especialista Rafael Maia. A partir dos 6 anos, os fissurados recebem um aparelho dentário que prepara a boca para a cirurgia definitiva, aos 18 anos. Antes, na idade entre 10 a 14 anos, é feito um enxerto ósseo, para unir a maxila segmentada. A cirurgia ortognática é a última etapa.
A Rede Estadual de Saúde atende mensalmente 20 pacientes. “É uma assistência muito importante e muito cuidadosa porque são cirurgias que mudam a vida das pessoas e é maravilhoso termos uma equipe multiprofissional e bastante engajada no tratamento dos pacientes”, finalizou Júpiter.
Os agendamentos para consultas e cirurgias podem ser feitos pelo Disque Saúde (98) 3190-9091 ou no ambulatório especializado das unidades de saúde estaduais.
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