
A união de forças foi colocada como uma estratégia para proteger a população feminina no Dia Nacional de Luta Contra a Violência à Mulher. Em sessão solene realizada nesta terça-feira (10) para marcar a data, deputadas e deputados, integrantes de governos e da sociedade civil apresentaram estatísticas sobre as agressões e cobraram mais orçamento para as políticas públicas que possam mudar o panorama atual.
Parlamentares destacaram avanços, como as leis Maria da Penha e a do feminicídio. A deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), autora de um dos requerimentos para a realização da sessão solene, lamentou, porém, que o Estado ainda se mostre ineficiente tanto na prevenção quanto no apoio às vítimas. "São muitas formas de desamor, da simples desatenção à pura crueldade", disse.
Ela citou ainda pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Datafolha mostrando que 35 mulheres foram agredidas por minuto no Brasil em 2022. Laura Carneiro enumerou os tipos de violência que atingem as mulheres, segundo a pesquisa: "ofensa verbal, 23,1%; chutes e socos, 11,6%; ameaça com faca ou arma de fogo, 5,1%; lesão por objetos, 4,2%; esfaqueamento ou tiro, 1,6%".
A presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara, deputada Lêda Borges (PSDB-GO), lamentou que muitas ainda sofram violência pelo fato de serem mulheres e cobrou mais recursos para as políticas públicas de combate às agressões. “Nós precisamos que todos os nossos colegas, relatores, aqui na Câmara e no Senado, possam verdadeiramente demonstrar que estão preocupados com a violência doméstica, garantindo orçamento suficiente pra desenvolver a rede de proteção às mulheres vítimas de violência”.
Coordenadora do Observatório Nacional da Mulher na Política, a deputada Yandra Moura (União-SE) apontou os diversos impactos da violência na vida das mulheres, como na saúde mental delas e fez um chamamento aos vários tipos de profissionais que possam contribuir para que a sociedade brasileira combata as agressões.
Relatos
Glaucia Souto, da Associação Brasileira de Advogados, que foi agredida fisicamente pelo ex-marido dentro de uma delegacia de atendimento à mulher, pediu providências urgentes contra a escalada de violência. “O que está sendo feito no Parlamento, o que está sendo feito nas delegacias, o que está sendo feito pelo Judiciário? Por que tantos agressores ainda se encontram libertos?”, indagou.
Eleita presidente do Tribunal de Contas do Amazonas, a conselheira Yara Rodrigues dos Santos relatou agressões feitas por um colega durante o processo eleitoral, em 3 de outubro. “Como sou a única conselheira mulher daquele tribunal e para dar exemplo às colegas servidores, eu fui à delegacia fazer uma queixa para que pudesse ser punido o agressor”, relatou.
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