
A Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema) desempenha um papel fundamental na promoção da inclusão social, por meio do apoio a projetos voltados para pessoas com deficiência. Essa é uma iniciativa crucial para garantir igualdade de oportunidades e acesso a recursos para melhorar sua qualidade de vida e participação na sociedade. Neste 21 de setembro, Dia Nacional da Luta das Pessoas com Deficiência, a Fundação destaca a pesquisa e inovação no campo da acessibilidade e da tecnologia assistiva, beneficiando não apenas as pessoas com deficiência, mas toda a sociedade.
Entre os inúmeros projetos realizados com o financiamento do Governo do Estado por meio da Fundação, estão uma balança inteligente por comando de voz, que já está sendo utilizada por pessoas com deficiência visual; o letramento matemático, projeto que visa a inclusão de alunos com deficiência intelectual e o dispositivo “Abreboca”, instrumento que tem a proposta de facilitar a execução dos procedimentos odontológicos, sobretudo a pessoas com alguma deficiência.
“Seguindo orientação do governador Carlos Brandão, a Fapema tem desempenhado papel fundamental na viabilização de recursos para a execução de projetos voltados às pessoas com deficiência. A Fundação tem se comprometido em apoiar iniciativas na promoção da acessibilidade, para a educação inclusiva, empregabilidade e melhoria da qualidade de vida do segmento, em todo o Estado”, frisou o presidente da Fundação, Nordman Wall.
Os projetos apoiados pela Fapema têm como objetivo criar soluções inovadoras que facilitam a vida das pessoas com deficiência, tornando-as mais independentes em suas atividades diárias.
O ‘Letramento matemático na perspectiva inclusiva para alunos com deficiência intelectual’, da doutora em Matemática da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Regiana Sousa Silva, envolve a educação inclusiva no ensino da Matemática. “Como há poucas pesquisas interventivas direcionadas para a deficiência intelectual, constatei a necessidade de fomentar um estudo nessa área, para auxiliar o professor no letramento matemático desses alunos na sala de aula regular”, explicou Regiana Silva.
A pesquisa traz a proposta de trabalhar ferramentas, solução de problemas e investigação matemática para atingir o letramento matemático. Foram utilizadas adaptações de conceitos, jogos e estratégias já adotados no ensino da matemática, e repassados aos professes para aplicação em sala de aula. Nesta lista de itens adaptados, estão: materiais impressos, tabuada convencional, tábua de Pitágoras, jogos e gráficos matemáticos. Ela exemplificou que a tábua de Pitágoras ajudou os alunos a entender a tabuada da multiplicação, e os gráficos levaram a observar e interpretar informações, como soma da quantidade das pessoas entrevistadas e quantidades de frutas citadas.
Neste processo, a professora identificou que esse foi o primeiro estudo a direcionar a investigação matemática para alunos com deficiência intelectual, e se mostrou muito eficaz para o desenvolvimento da inclusão escolar. “Em conjunto com atividades criativas e envolvendo o cotidiano dos alunos, os resultados foram muito proveitosos e permitiram que os professores compreendessem a necessidade de adaptar suas práticas pedagógicas", disse Regiana Silva.
Outro importante projeto apoiado pela Fapema é o Abreboca. Constatando que o profissional da área de Odontologia, e também cuidadores, enfrentam problemas para manter a boca do paciente aberta durante procedimentos ou cuidados bucais, o pesquisador da Universidade Ceuma, Rafael Gonçalo de Araújo, desenvolveu o Abreboca. O instrumento tem a proposta de facilitar a execução dos procedimentos, sobretudo a pessoas com alguma deficiência. Em suas avaliações, ele constatou que esses problemas ficam evidentes pela grande incidência de cáries e alterações bucais nesta população, segundo observou na elaboração do estudo.
“Diante dessa problemática, surgiu a ideia do Abreboca, que é o primeiro dispositivo esterilizável e de baixo custo, que vai não só ajudar a abrir a boca do paciente, mas também vai mantê-la aberta, garantindo seu conforto e a estabilidade durante todo o atendimento”, explicou o pesquisador. O produto já foi testado, qualificado e segue para incorporação da tecnologia no mercado.
"A Fundação desempenhou papel essencial, pois o amparo oferece o suporte financeiro e estrutural necessário para que concentremos nossos esforços na exploração de novas ideias e soluções. Isso permitiu que dedicação integral à pesquisa. Fomos classificados para o Centelha, como ideia inovadora contratada, e estamos evoluindo a equipe para tornar o nosso produto comercializável”, frisou Rafael sobre o apoio da Fapema.
Balança inteligente
Com intuito em garantir maior autonomia às pessoas com deficiência visual no ambiente de trabalho, o estudante de Ciências Agrárias do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA), Anthony Eduardo da Silva Cutrim, desenvolveu o projeto ‘Protótipo de medidor de temperatura e umidade audível com sistema de comandos por voz’. Trata-se de uma balança que emite informações sonoras e é controlada por comandos de voz, utilizando uma plataforma de prototipagem, já sendo utilizada por pessoas com deficiência visual no ambiente de trabalho.
“A proposta é que essas pessoas possam executar algumas atividades com mais facilidade, acessibilidade e autonomia, sem que precisem depender de outras”, acrescentou Anthony. Ele explicou que a balança é desenvolvida a partir de protótipos, tendo como base instrumentos de medida digitais de precisão acessíveis e com a finalidade de ser uma tecnologia assistiva. A balança está em uso há dois anos e segue sendo aprimorada.
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