Setembro Amarelo destaca valorização da vida e cuidados com a saúde mental

A campanha alerta também sobre a psicofobia (preconceito aos transtornos mentais) e que a prevenção é o melhor caminho, esclarece a psicóloga da Humana Saúde, Renata Bandeira Jardim (CRP 21ª/01976).
Por Redação Verdes Campos Sat 27 de Setembro de 2021 às 16:51

Foto: Divulgação Setembro Amarelo destaca valorização da vida e cuidados com a saúde mental
Setembro Amarelo destaca valorização da vida e cuidados com a saúde mental

A Campanha do Setembro Amarelo é uma oportunidade para destacar a importância da valorização da vida associada aos cuidados com a saúde mental como forma de prevenção ao suicídio. Criada em 2014, pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em parceria com a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), a campanha segue como um alerta para a necessidade de abrir espaço de escuta para quem se encontra em sofrimento mental.  
 
Segundo informações do CFM/ABP, são registrados mais de 13 mil suicídios todos os anos no Brasil e mais de 01 milhão no mundo. Cerca de 96,8% dos casos de suicídio estavam relacionados a transtornos mentais. “A campanha Setembro Amarelo vem para falar sobre a importância da valorização da vida e de que forma agir e acolher as pessoas que estão passando por um sofrimento psicológico, que, muitas vezes, acaba culminando em suicídio. A campanha alerta também sobre a psicofobia (preconceito aos transtornos mentais) e que a prevenção é o melhor caminho, esclarece a psicóloga da Humana Saúde, Renata Bandeira Jardim (CRP 21ª/01976).
 
Para a especialista, a saúde física caminha junto com a saúde mental. “Sem a saúde mental não há saúde física. Por exemplo, se temos uma preocupação ou ansiedade por determinada coisa, isso pode gerar sintomas físicos. Uma dor de cabeça pode afetar psicologicamente o cotidiano da pessoa se não for tratada, aí, uma coisa leva a outra”, explica Renata.
 
A profissional relata ainda que a ansiedade é um dos transtornos que mais leva à procura por atendimento psicológico. Ela destaca que algumas ações podem ajudar nesse quadro. “A ansiedade é uma emoção natural, mas em excesso traz danos à saúde. Diante disso, é importante dar atenção aos pensamentos e observar se eles condizem com a realidade. Por isso, atos de autocuidado, atividade física e tempo de qualidade com a família e amigos auxiliam nesse processo e estimulam a saúde”, reforça a  especialista.
 
Quando a ansiedade deixa de ser normal
 
Renata Bandeira destaca ainda que a forma como a ansiedade se manifesta é diferente em cada pessoa, e que quando é excessiva, pode repercutir fisicamente. “Sintomas físicos como tremores, dores de cabeça, taquicardia e quedas de cabelos podem ser sentidos em um certo grau de ansiedade. Por isso, é importante buscar ajuda profissional com um psiquiatra e com um psicólogo para que juntos eles possam buscar estratégias para minimizar e controlar a situação”.
 
A especialista frisa ainda que a ansiedade pode vir associada à depressão, o que amplia o quadro, provocando, assim, um transtorno misto. “Algumas vezes, o ansioso pode se tornar depressivo quando aparecem sentimento de tristeza, anedonia, que é a perda de interesse por coisas que antes davam prazer, com tendência ao isolamento, presença de constantes pensamentos negativos, falta ou excesso de sono e falta de apetite. Em quadros como esses, também é fundamental a avaliação e o acompanhamento por um psiquiatra e um psicólogo. Porque dessa forma é possível tratar os comprometimentos físicos e mentais”, enfatiza.
 
Redes sociais podem agravar quadros de ansiedade e depressão
 
A facilidade de acesso à internet e o turbilhão de informação na palma da mão também contribuem para o aumento dos transtornos mentais. “Excesso de informações sem dúvida causa esse aumento da ansiedade. Muitas vezes também questões sociais referentes ao aumento do custo de vida, dificuldades nos relacionamentos e interações sociais impactam ainda no aumento da ansiedade”, afirma a psicóloga da Humana Saúde.
 
Renata Bandeira chama também atenção para a frustração provocada pelo padrão de vida mostrado nas redes sociais. O problema começa com a comparação, o que pode levar as pessoas a questionarem suas vidas e desejarem certas “realidades” e “padrões” vistos nas redes. “A criação de padrões de beleza e sociais trazendo corpos perfeitos e vidas perfeitas afeta a forma como as pessoas raciocinam, pois passam a interpretar que a vida precisa ser daquela forma, que é preciso consumir os produtos mostrados e viver conforme o que é exposto”.
 
Para a especialista, um dos caminhos para cuidar melhor da saúde mental é questionar se o que vemos como negativo é real ou não. “É preciso avaliar a realidade e ver os pontos de cada situação, pois, muitas vezes, quando a gente pensa negativo, a gente olha só para um ponto da situação, e precisamos ver todo o contexto que comprova se esse pensamento realmente condiz com a realidade”, conclui.

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