O Hospital de Câncer do Maranhão Dr. Tarquínio Lopes, referência em tratamento oncológico da Secretaria de Estado da Saúde (SES), realizou, nesta quinta-feira (27), ação alusiva ao mês de conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço. O momento abordou aspectos como prevenção, sintomas e tratamento da doença, tendo como público colaboradores e acompanhantes de pacientes.
Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de cabeça e pescoço é o quarto tipo de neoplasia mais comum no Brasil. Estima-se que para cada ano do triênio 2023 a 2025 sejam diagnosticados 15.100 novos de câncer da cavidade oral para o Brasil. Esse total corresponde ao risco estimado de 6,99 por 100 mil habitantes, sendo 10.900 em homens e 4.200 em mulheres.
No Maranhão, ainda segundo dados do Inca, somente no ano de 2023, estima-se que sejam diagnosticados 460 casos de câncer na Glândula Tireoide, 100 casos de câncer de Laringe e 180 na Cavidade Oral.
“A maior preocupação que as pessoas precisam ter é no sentido de buscar a prevenção e isso diz respeito a auto avaliação de si mesmo. Ou seja, ao ser identificado no corpo qualquer comportamento fora do habitual, é necessário que isso desperte o interesse de buscar orientação com profissional para que seja feita avaliação para se ter confirmação se é ou não câncer”, disse o diretor geral do Hospital de Câncer do Maranhão, Sérgio Catardo.
O câncer de cabeça e pescoço são mais identificados nas da boca, língua, palato mole e duro, gengivas, bochechas, amígdalas, faringe, laringe, tireoide, seios paranasais, fossas nasais e glândulas salivares.
Para o médico e cirurgião oncológico Francisco Cláudio Abrantes, que na oportunidade apresentou palestra sobre o tema, alertou para os sinais e sintomas da doença. “O câncer de cabeça e pescoço é tudo que se pode ter na parte aerodigestiva e face. Por isso é necessário chamar atenção para coisas como feridas que não cicatrizam, dor na garganta persistente, rouquidão, dificuldade para engolir, qualquer um desses sintomas igual ou superior a 15 dias é ideal procurar ajuda médica”, disse.
Segundo o especialista, nos casos mais avançados, é identificado a dificuldade para mastigar, engolir e falar, além da sensação de que há algo preso na garganta e movimentação limitada da língua.
Fatores de risco
Um dos fatores complicadores para o diagnóstico desse tipo de câncer é o diagnóstico tardio, principalmente pelo fato de ela ser confundida com tosse e mal-estar decorrente do uso excessivo de tabaco, álcool, exposição excessiva ao sol, entre outros. Josevilson Sodré, de 50 anos, é paciente do Hospital de Câncer há três anos e meio, desde quando foi diagnosticado com câncer na laringe. Ele contou que antes tinha o hábito do tabagismo e que a demora em procurar atendimento médico complicou o seu quadro clínico, levando-o a usar a laringe eletrônica, um aparelho para quem fez procedimento de laringectomia total.
“Eu fumava muito, e isso desde os 10 anos de idade. Até que aos poucos eu fui perdendo a voz, fiquei rouco e depois comecei a sentir dor. Infelizmente quando procurei o hospital já era tarde. Mas, graças a Deus fui declarado curado e desde então faço tratamento aqui. Aos poucos estou recuperando a voz e de seis em seis meses faço as consultas para avaliação e acompanhamento”, compartilhou Josevilson.
Para a coordenadora de enfermagem do hospital, Marleane Pereira, foi um momento de aprendizagem. “Diariamente nós precisamos estar nos alinhando com as formas de tratamento e acolhimento dos pacientes e seus acompanhantes. Momentos como este servem para que consigamos cuidar melhor das pessoas que dão entrada na unidade e dar a elas o suporte de que precisam com qualidade”, afirmou.
Prevenção
Além de manter um estilo de vida saudável, com prática esportiva e alimentação balanceada, a prevenção ao câncer de cabeça e pescoço pode ser feita com a adoção de novas condutas e práticas, tais como: evitar o tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas, manter o peso corporal dentro dos limites da normalidade e ser assíduo com a higiene bucal.
A fonoaudióloga da unidade oncológica da SES, Camila Viana, disse que a ação foi uma forma de ampliar a prevenção. “Para além dos fatores genéticos, minimizar a exposição ao que pode causar o adoecimento é essencial. Há casos de pessoas que nunca beberam ou fumaram, mas estar atentos a fatores que são evitáveis contribuem para o combate ao câncer”.
Também são consideradas formas preventivas ao câncer usar preservativo durante a prática do sexo oral, fazer o autoexame da região bucal e estar atento a possíveis lesões que não cicatrizam e manchas que não somem, bem como ter o hábito de ir a consultas com dentista a cada seis meses.