Política Escala 6x1
PL e União Brasil contra a PEC da Escala 6x1
Estratégia para barrar a proposta na Câmara
24/02/2026 09h15
Por: Vanilson Brito
Foto: O Globo

Em meio ao avanço das discussões sobre a redução da jornada de trabalho no Congresso, os presidentes do PL e do União Brasil afirmaram que pretendem atuar para impedir que a proposta que extingue a escala 6x1 prospere na Câmara dos Deputados.

Durante evento do Grupo Esfera realizado em São Paulo, com a presença de empresários e representantes de diversos setores produtivos, Valdemar Costa Neto (PL) e Antonio Rueda (União Brasil) defenderam que o texto seja barrado já na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), evitando que a matéria avance ao plenário.

Valdemar destacou que a estratégia passa por dialogar com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para travar a proposta na comissão. Segundo ele, a oposição vai se empenhar para impedir que a votação ocorra, recebendo aplausos de parte do empresariado presente.

No mesmo sentido, Rueda afirmou que o objetivo é construir uma “blindagem” na CCJ e retardar o andamento da proposta. Para o dirigente do União Brasil, o projeto teria forte apelo popular, e seu avanço no Congresso tornaria a missão da oposição de barrá-lo cada vez mais difícil em um ano eleitoral. Ele ressaltou que levar a votação ao plenário seria “avassalador” e acrescentou que a medida poderia elevar custos para as empresas, pressionar a inflação e impactar negativamente os consumidores.

Apoio do governo e tramitação da PEC

PL e União Brasil somam 145 deputados na Câmara. Em contrapartida, o presidente Lula (PT) busca acelerar a votação da proposta que prevê o fim da escala 6x1 e conta com o apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta, que afirmou priorizar o tema. Em vídeo divulgado no domingo, Motta disse que a indicação do relator da PEC na CCJ ocorreria no início desta semana.

O objetivo é unificar na PEC os projetos da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que propõem mudanças na Constituição para reduzir a jornada semanal. A ideia é substituir o modelo atual de seis dias de trabalho consecutivos por um dia de descanso, estabelecendo uma jornada máxima de 36 horas semanais, distribuídas ao longo da semana.