Apesar das precipitações registradas desde o início da quadra chuvosa, o sistema hídrico do Ceará apresenta um balanço de alerta. Até o dia 22 de fevereiro, oito das doze bacias hidrográficas do estado obtiveram ganho de volume, porém o armazenamento total do estado permanece 5,03% abaixo do nível registrado no mesmo período do ano passado.
O início de fevereiro, marco da estação chuvosa, trouxe recuperação para a maioria das regiões. As bacias que apresentaram crescimento no volume armazenado foram: Acaraú, Alto Jaguaribe, Banabuiú, Coreaú, Médio Jaguaribe, Salgado, Serra da Ibiapaba e Sertões de Crateús.
Em contrapartida, as bacias do Baixo Jaguaribe, Curu, Litoral e Metropolitana registraram queda em seus níveis. A situação da Bacia Metropolitana é a que demanda maior vigilância por parte da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), que já estuda a transferência de águas dos eixos do Castanhão e Orós para garantir o abastecimento da Região Metropolitana de Fortaleza.
Fonte:Reprodução
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Os três principais açudes do Ceará — responsáveis pela segurança hídrica de grandes regiões — tiveram comportamentos distintos, embora todos tenham recebido algum aporte recente:
Castanhão: O maior reservatório do estado detém 1,3 bilhão de m³ (20,16% de sua capacidade). Este é o menor índice para o período nos últimos quatro anos.
Orós: Mantém-se em situação favorável com 72,60%, o melhor volume para esta data desde 2012, ainda beneficiado pela sangria ocorrida em 2025.
Banabuiú: Registra 27,86% de preenchimento. Embora baixo, o número é significativamente superior ao estado de "volume morto" (8,97%) enfrentado em 2023.
Atualmente, o Ceará acumula 39,23% de sua capacidade total de armazenamento. O panorama geral dos 144 açudes monitorados revela a persistência do desafio da escassez em pontos específicos:
| Categoria de Armazenamento | Quantidade de Açudes | Exemplos |
| Acima de 90% (Confortável) | 5 | Tijuquinha, Cachoeira, Curral Velho |
| Abaixo de 30% (Alerta/Crítico) | 38 | Castanhão, Banabuiú |
Este resultado interrompe uma sequência de três anos de crescimento volumétrico contínuo nesta época do ano, reforçando a necessidade de uso consciente e gestão rigorosa das reservas hídricas ao longo de 2026.