A oitiva do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi definida para a próxima segunda-feira (23), às 16h. O depoimento anterior estava marcado para 26 de fevereiro. A nova data foi anunciada pelo deputado federal Duarte Júnior (PSB - MA), que afirmou que a decisão foi tomada durante reunião com o presidente da CPMI do INSS, o senador Carlos Viana (Podemos - MG).
Em 17 de novembro do ano passado, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de crimes financeiros relacionados à emissão de títulos de crédito supostamente falsos envolvendo instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional. Doze dias depois, o banqueiro foi solto, mas com medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.
Balanços inflados
O Banco Master registrou crescimento acelerado ao oferecer CDBs (Certificados de Depósito Bancário) com rentabilidade acima da média do mercado. Segundo as investigações, para sustentar o modelo de negócios, a instituição teria assumido riscos excessivos e realizado operações que teriam inflado artificialmente seu balanço financeiro.
Entre 2023 e 2024, o banco teria movimentado cerca de R$ 11,5 bilhões por meio de operações trianguladas, de acordo com investigações da Polícia Federal e relatórios do Banco Central. Os documentos também apontam indícios de um colapso não apenas financeiro, mas institucional.
Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, citando grave crise de liquidez e violações às normas do Sistema Financeiro Nacional.
Quebra de sigilo
O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana , afirmou na sexta-feira (13) que solicitou ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça a devolução à comissão de todos os documentos referentes às quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Segundo Viana, os dados são fundamentais para a continuidade dos trabalhos, a consolidação das provas já colhidas e o avanço responsável do relatório final. O senador sustenta que a CPMI tem o dever constitucional de apurar os fatos com profundidade, respeito ao devido processo legal e transparência.
O pedido foi encaminhado a Mendonça após o ministro assumir a relatoria do caso no Supremo. Segundo o parlamentar, está prevista para a primeira semana após o feriado uma audiência institucional com o magistrado. O objetivo, segundo Viana, é tratar pessoalmente da importância da cooperação entre os Poderes para que a comissão possa cumprir integralmente sua missão.
Mendonça assumiu o inquérito no lugar do ministro Dias Toffoli, que, em dezembro do ano passado, determinou que os documentos relacionados às quebras de sigilo de Vorcaro solicitados pela CPI não ficassem disponíveis ao colegiado.