Cidades Mistério
Após 42 dias, caso de crianças desaparecidas segue sem avanços no Maranhão
Equipes refazem rotas, usam helicóptero e drones e contam com força‑tarefa especial na investigação.
16/02/2026 14h39
Por: Fabio Brito Fonte: G1 Maranhão

As buscas por Ágatha Isabelle, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, completam 42 dias sem respostas em Bacabal, no interior do Maranhão. Desde o desaparecimento, equipes do Corpo de Bombeiros do Maranhão seguem mobilizadas, mas ainda não há pistas concretas sobre o paradeiro dos irmãos.

Segundo o Corpo de Bombeiros, as equipes voltaram a percorrer áreas que já tinham sido vistoriadas. As buscas permanecem concentradas nos pontos mapeados no início das operações, na tentativa de identificar qualquer detalhe que ajude a esclarecer o caso.

Todos os dias, os agentes entram na mata e fazem varreduras minuciosas nas regiões já percorridas. O objetivo é localizar vestígios, como roupas ou objetos, que possam indicar o trajeto feito pelas crianças e ajudar a reduzir a área de procura.

Em trechos de difícil acesso, as equipes contam com apoio de helicóptero e drones.

O último rastro das crianças foi encontrado por cães farejadores em uma cabana abandonada, chamada pelos policiais de “casa caída”. O local fica a cerca de 3,5 km, em linha reta, da comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, ponto de onde os irmãos e o primo, Anderson Kauã, desapareceram.

De acordo com a Polícia Civil, o caso é investigado por uma comissão criada especialmente para atuar na ocorrência. Dezenas de pessoas já foram ouvidas, e algumas pistas foram descartadas.

A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP) informou que não divulgará detalhes da investigação para não comprometer o trabalho das equipes.

As buscas seguem com a participação do Corpo de Bombeiros, da Polícia Civil e do Exército Brasileiro, que continuam atuando nas áreas mapeadas desde o início.

Mãe cobra respostas sobre desaparecimento dos filhos

No dia 4 de fevereiro, data em que o caso completou um mês, Clarice Cardoso concedeu entrevista e relatou a angústia da família.

“Eu não desejo pra ninguém essa dor, uma dor insuportável. Cada dia só piora, a gente não tem notícia”, disse a mãe.
Sem novas pistas, a avó das crianças relatou o impacto emocional que o desaparecimento causou na família.

“Tá sendo um pesadelo, uma angústia, e não termina, não acaba. A gente sem nenhuma informação de nada”, disse a avó.
Segundo a polícia, vários depoimentos foram colhidos e surgiram suspeitas sobre a possível localização das crianças, mas nenhuma pista concreta foi confirmada.

O que diz a investigação
Em entrevista ao g1, o delegado-geral adjunto operacional da Polícia Civil, Ederson Martins, integrante da força-tarefa que atua no caso, afirmou que a investigação segue em andamento e que ainda não há conclusão.

“Já temos 30 dias de investigação, uma investigação bem robusta, com muitas páginas e dezenas de pessoas ouvidas”, afirmou o delegado.
Uma comissão especial criada pela Polícia Civil, formada por dois delegados de São Luís, e uma delegada de Bacabal, conduz o inquérito, que já ultrapassa 200 páginas.

De acordo com o delegado, diversas diligências foram realizadas ao longo desse período, incluindo reconstruções e análises técnicas.

“Temos a reconstrução do trajeto do carroceiro, desde o local onde ele foi localizado até a entrega no povoado, além da reconstrução do local onde as crianças estiveram juntas pela última vez, com a participação, inclusive, de um menor, após autorização judicial”, explicou.

O delegado informou ainda que a Polícia Civil está reunindo relatórios de todas as forças que atuaram nas buscas. Segundo ele, o Corpo de Bombeiros, a Marinha e o Exército também vão repassar à Polícia Civil toda a documentação referente às buscas.

Questionado sobre a possibilidade de divulgar novos detalhes sobre as investigações, Ederson Martins afirmou que, por enquanto, apenas as informações já divulgadas podem ser confirmadas.

O delegado reforçou que ainda faltam pistas e que a conclusão só será possível após esgotar todas as possibilidades.

As primeiras buscas

Nos primeiros 20 dias de buscas pelas crianças, a força-tarefa percorreu mais de 200 quilômetros em operações por terra e por água, incluindo áreas de mata fechada e de difícil acesso.

A Marinha informou que foram realizadas buscas ao longo de 19 quilômetros do rio Mearim, sendo que cinco quilômetros foram vasculhados minuciosamente.

No dia 23 de janeiro, as buscas entraram em uma nova etapa, com buscas na mata reduzidas e foco na investigação policial. A mudança ocorreu após as equipes concluírem a varredura completa das áreas inicialmente mapeadas.

Segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA), as equipes permanecem em prontidão para retomar as buscas em locais específicos caso novos indícios surjam.

Mais de mil pessoas, entre agentes das forças de segurança estadual e federal, além de voluntários, participaram das ações.

As equipes continuam atuando em áreas de mata fechada, rios e lagos, com participação de investigadores da Polícia Civil, agentes da Força Estadual Integrada de Segurança Pública, do Centro Tático Aéreo (CTA), do Batalhão de Choque da Polícia Militar, do Exército Brasileiro e do Corpo de Bombeiros Militar.

A força-tarefa segue concentrada na base instalada no quilombo São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, onde as crianças moravam e foram vistas pela última vez.