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Monitoramento contínuo vira regra de compliance e KYC
Reguladores intensificaram a cobrança sobre áreas de compliance, crédito e KYC, exigindo rastreabilidade, monitoramento contínuo e evidências concr...
16/02/2026 13h31
Por: Redação Portal Verdes Campos Sat Fonte: Agência Dino

O ambiente de compliance no Brasil entrou em uma nova fase de exigência, com reguladores, instituições financeiras e grandes empresas demandando controles mais técnicos, rastreabilidade completa das decisões e evidências documentais consistentes para cada etapa do relacionamento com clientes, fornecedores e parceiros. Na prática, isso significa menos tolerância a processos informais e mais dependência de tecnologia, dados confiáveis e auditorias contínuas.

Com multas milionárias, responsabilização pessoal de executivos e aumento da inadimplência e das fraudes cadastrais, as áreas de risco e conformidade estão reforçando mecanismos de monitoramento, validação cadastral e trilhas auditáveis. O foco da fiscalização deixou de ser apenas a existência de políticas internas e passou a priorizar provas operacionais concretas: quando a consulta foi feita, quais bases foram utilizadas e qual justificativa sustentou cada decisão. Entre os principais marcos regulatórios estão a Lei nº 9.613/1998, que estabelece mecanismos para prevenir, identificar e punir crimes de lavagem de dinheiro, e a Circular BCB (Banco Central do Brasil) nº 3.978/2020, que estabelece monitoramento contínuo de clientes e identificação de beneficiários finais, além de normas mais recentes que reforçam critérios de acurácia, integridade e governança da informação.

Mudança no foco da fiscalização

Nos últimos meses, alterações regulatórias lideradas pelo Banco Central do Brasil (BCB) e pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) elevaram o padrão de governança esperado das áreas de compliance, risco e crédito. Entre os principais marcos estão a Lei nº 9.613/1998, que estabelece mecanismos para prevenir, identificar e punir crimes de lavagem de dinheiro, a Circular BCB nº 3.978/2020, que institui procedimentos de KYC (Know Your Customer), identificação de beneficiários finais e monitoramento contínuo, e a Resolução Conjunta nº 18/2025, que estabelece critérios obrigatórios de qualidade da informação, como acurácia, integridade, rastreabilidade e tempestividade dos dados reportados ao regulador. O foco deixou de ser apenas a existência de normas formais e passou a priorizar provas de execução contínua dos controles.

Novas exigências operacionais

As empresas agora precisam comprovar quem são seus clientes e parceiros, a origem de recursos, vínculos societários, beneficiários finais e riscos fiscais, reputacionais e regulatórios. Decisões baseadas em cadastros desatualizados, consultas manuais ou registros incompletos podem ser interpretadas como falhas de controle, mesmo quando não há irregularidade comprovada. As penalidades previstas incluem multas administrativas que podem atingir dezenas de milhões de reais, sanções proporcionais ao faturamento, responsabilização pessoal de administradores, restrições operacionais, supervisão intensificada e suspensão de atividades em casos graves.

Contexto econômico amplia exposição

O contexto econômico também aumentou a exposição das empresas ao risco. Dados da Serasa Experian apontam que a inadimplência das empresas brasileiras atingiu o recorde de 8,9 milhões de Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJs) negativados em novembro de 2025, representando crescimento de 27,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Além disso, o Brasil registrou recorde histórico de 5.680 empresas em processo de recuperação judicial no quarto trimestre de 2025, segundo dados da Receita Federal, o que representa aumento de 24,3% em relação a 2024. Esse cenário elevou simultaneamente o risco financeiro, regulatório e reputacional das organizações. Como resultado, análises que antes eram restritas a crédito passaram a incluir due diligence completa de terceiros, verificações cadastrais profundas e monitoramento contínuo de relacionamento, tornando compliance e crédito áreas cada vez mais integradas.

Tecnologia como pilar do compliance moderno

Estudos recentes sobre tendências de compliance apontam que o compliance está se aproximando definitivamente das áreas de dados e tecnologia, com a digitalização dos processos sendo uma das principais transformações esperadas para 2025 e 2026. Processos manuais, planilhas isoladas e consultas pontuais estão sendo substituídos por enriquecimento cadastral automatizado, monitoramento contínuo, integração via APIs (Application Programming Interface), consultas em tempo real a bases públicas e privadas e geração de dossiês digitais consolidados.

A importância da evidência documental

Para Agustín Sylvester, CEO (Chief Executive Officer) da Direct Data, o compliance moderno é baseado em provas, não declarações. "Consultar é só o começo. Toda decisão precisa de registro, evidência e contexto. Cada consulta deve deixar rastro: quando ocorreu, qual fonte foi usada e por que a decisão foi tomada", afirma. Reguladores já operam com cruzamento massivo de dados e auditorias detalhadas, tornando indispensável manter trilhas completas de validação para demonstrar conformidade e mitigar riscos de penalidades.

Estratégias de adaptação empresarial

A adaptação das empresas passa por automação e integração de dados com empresas SaaS (Software as a Service) voltadas para monitoramento de risco e compliance. "Entre as principais iniciativas observadas estão o monitoramento automático de alterações societárias, acompanhamento de passivos fiscais, checagens contínuas em listas restritivas, identificação de interpostas pessoas e consolidação de informações em dossiês auditáveis", afirma Agustin. Os chamados dossiês de risco corporativo reúnem dados cadastrais, societários, fiscais, financeiros e reputacionais em um único documento, funcionando simultaneamente como análise de risco e prova documental de diligência. APIs de dados complementam o processo ao registrar quando, como e com quais informações cada verificação foi executada, criando um histórico permanente que atende às exigências regulatórias.

Sobre a empresa

A Direct Data é uma empresa brasileira de inteligência de dados especializada em compliance, crédito, KYC e prevenção a fraudes. Em 2025 foi destaque entre as 10 melhores startups da década na categoria Big Data. Desde 2007, fornece APIs, enriquecimento de dados e dossiês de risco que apoiam empresas na tomada de decisões seguras, automatizadas e auditáveis, atendendo de startups a grandes corporações.