Cidades Mistério
Crianças desaparecidas em Bacabal: buscas completam um mês sem novas pistas
Investigação sobre o paradeiro dos irmãos Ágatha Isabelly e Allan Michael, que sumiram no dia 4 de janeiro, entra em nova fase; força-tarefa busca novas evidências sobre desaparecimento de irmãos.
04/02/2026 14h43
Por: Fabio Brito Fonte: Imirante.com

BACABAL - As buscas pelos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, completam um mês nesta quarta-feira (4), sem que novas pistas indiquem o paradeiro das crianças, que desapareceram no dia 4 de janeiro em Bacabal, a 240 km de São Luís. A força-tarefa formada por equipes estaduais e federais segue atuando para localizar as crianças desaparecidas, enquanto a Polícia Civil afirma que a investigação permanece em andamento e ainda não tem conclusão.

Segundo o delegado-geral adjunto operacional da Polícia Civil, Ederson Martins, integrante da força-tarefa, o inquérito já soma mais de 200 páginas e dezenas de depoimentos. “Já temos 30 dias de investigação, uma investigação bem robusta, com muitas páginas e dezenas de pessoas ouvidas”, afirmou.

O atual estágio das buscas conta com equipes do Corpo de Bombeiros e do Exército realizando varreduras em áreas de mata e pontos alagados, além do uso de cães farejadores às margens do rio Mearim.

Buscas pelas crianças desaparecidas em Bacabal mobilizam força-tarefa
Uma comissão especial da Polícia Civil, composta por dois delegados de São Luís e uma delegada de Bacabal, conduz o inquérito. De acordo com Martins, diversas diligências foram realizadas, incluindo reconstruções de trajetos e análises técnicas.

O dia do desaparecimento
Os irmãos Ágatha e Allan desapareceram em 4 de janeiro, no Quilombo de São Sebastião dos Pretos, zona rural de Bacabal. Elas estavam acompanhadas do primo Anderson Kauan, de 8 anos, que foi encontrado três dias depois por carroceiros no povoado Santa Rosa.

Primeiras buscas e avanço das operações
Nos primeiros 20 dias, a força-tarefa percorreu mais de 200 km em operações terrestres e aquáticas. A Marinha vasculhou 19 km do rio Mearim, sendo cinco deles de forma minuciosa.

A partir de 23 de janeiro, as buscas passaram a ter foco maior na investigação policial, após a varredura completa das áreas inicialmente mapeadas. As equipes permanecem de prontidão para retomar operações caso surjam novos indícios.

Mais de mil pessoas participaram das ações, incluindo:

Polícia Civil
Polícia Militar e Batalhão de Choque
Força Estadual Integrada de Segurança Pública
Centro Tático Aéreo (CTA)
Exército Brasileiro
Corpo de Bombeiros
VoluntáriosA base da força-tarefa permanece instalada no quilombo onde as crianças moravam.

Relato do primo ajudou a reconstruir trajeto
O menino de 8 anos, que ficou três dias perdido na mata, recebeu autorização judicial para participar das buscas. Ele relatou que o grupo entrou por um caminho alternativo para evitar ser visto por um tio e acabou se perdendo.

Segundo o relato:

Eles buscavam um pé de maracujá próximo à casa do pai do menino;
Entraram por outro lado da mata para não serem vistos;
Não encontraram frutas para comer;
Não havia adultos acompanhando o trajeto.
A “casa caída” e a separação das crianças
Uma das pistas mais importantes foi a descrição de uma casa abandonada, chamada pelo menino de “casa caída”, com objetos velhos no interior. Cães farejadores confirmaram o cheiro das três crianças no local.

O menino relatou que:

Eles se abrigaram ao pé de uma árvore próxima à casa;
As crianças estavam extenuadas;
Ele seguiu por um lado da choupana, enquanto os primos seguiram por outro.
A distância até o local pode chegar a 12 km, considerando obstáculos naturais.

Tecnologia e equipamentos usados nas buscas
As equipes utilizaram:

Cães farejadores
Drones com câmeras termais
Mergulhadores
Botes e lanchas
Aeronaves do CTA
Sonar side scan da Marinha para varredura subaquática
Polícia desmente boatos e reforça linha principal

O delegado Ederson Martins afirmou que a principal linha de investigação continua sendo a de que as crianças se perderam na mata. Ele desmentiu boatos que circularam nas redes sociais envolvendo a mãe e o padrasto dos menores.

“Essa informação não procede. Com tanta informação falsa, estão colocando a família das crianças em constante risco”, disse.

Protocolo Amber Alert foi acionado
O Ministério da Justiça ativou o Amber Alert, sistema internacional de alerta para desaparecimento de crianças, que divulga informações em plataformas da Meta em um raio de até 200 km.

O protocolo é usado apenas quando há risco de morte ou lesão grave.

Crianças vistas em SP não eram os irmãos
A Polícia Civil de São Paulo descartou que duas crianças encontradas em um hotel no Centro da capital fossem Ágatha e Allan. Após verificação, constatou-se que não se tratava dos irmãos desaparecidos.

Confira a nota:

"A Polícia Civil, por meio da Divisão Antissequestro do DOPE, esclarece que não procede o fato das crianças citadas terem sido encontradas em São Paulo. Os policiais da divisão, cientes da denúncia, foram aos endereços informados e constataram que as crianças ali presentes não são as mesmas que estão desaparecidas".