Cultura Miguel Alves
Troncos petrificados de 280 milhões de anos revelam passado surpreendente do Piauí
Achado no município de Miguel Alves indica que a região já foi coberta por vegetação semelhante a pinheiros e araucárias, milhões de anos antes dos dinossauros
02/02/2026 11h05
Por: Adilson Carlos

Troncos petrificados com cerca de 280 milhões de anos foram identificados no município de Miguel Alves, no interior do Piauí, revelando um cenário natural completamente diferente do que se vê hoje no estado. A descoberta foi confirmada na quinta-feira (29) pelo professor Juan Cisneros, paleontólogo da Universidade Federal do Piauí (UFPI), que analisou o material após solicitação das autoridades municipais.

Os fósseis foram encontrados por moradores da zona rural, que acionaram o poder público local ao perceberem a importância do achado. Diante da situação, a prefeitura buscou apoio técnico da UFPI para avaliar a origem e o valor científico dos troncos.

Segundo o pesquisador, os exemplares pertencem ao Período Permiano, da Era Paleozoica, o que os torna mais antigos que os dinossauros. Durante a inspeção inicial, Cisneros identificou pelo menos dez troncos, todos pertencentes ao grupo das gimnospermas, plantas aparentadas aos atuais pinheiros e araucárias.

Um dos aspectos mais relevantes da descoberta é que alguns troncos parecem estar em posição de vida, ou seja, preservados verticalmente, como se ainda estivessem “em pé”. Esse tipo de registro é considerado raro no mundo e já foi observado anteriormente na Floresta Fóssil de Teresina, outro importante sítio paleontológico do estado.

Para o professor, os fósseis ajudam a reconstruir a história geológica, ambiental e climática do Nordeste e do planeta. Eles indicam que, há centenas de milhões de anos, o Piauí apresentava um clima e uma vegetação totalmente distintos dos atuais.

“É surpreendente imaginar que o Piauí já foi coberto por florestas semelhantes às de pinheiros e araucárias. Esses fósseis reforçam esse modelo científico”, destacou Cisneros.

O pesquisador também aponta o potencial social e econômico da descoberta. Com investimentos adequados, a área pode se transformar em um parque paleontológico ou museu a céu aberto, fortalecendo o turismo científico e gerando oportunidades de renda para a população local.

A descoberta reforça a importância do Piauí no cenário da paleontologia brasileira e amplia o conhecimento sobre o passado profundo do território nordestino.