A polícia identificou o motorista que atropelou e matou a adolescente Anelise Lauriano Santos, de 14 anos, na BR-304, em Aracati, no litoral leste do Ceará. O caso aconteceu no dia 2 de janeiro, data do aniversário da vítima, e voltou a ter novos desdobramentos após o avanço das investigações.
Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que Anelise saiu de casa de bicicleta para comprar macarrão, que seria usado no jantar de comemoração do aniversário. No km 62 da BR-304, a jovem foi atingida por um caminhão.
O Impacto foi registrado em vídeo, assim como o barulho da colisão. A adolescente morreu no local, e o motorista deixou a rodovia sem prestar socorro.
Identificação do suspeito
A partir do acidente, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Polícia Civil atuaram em conjunto para identificar o veículo envolvido. Conforme apuração, foram encontradas no local peças que ajudaram a direcionar as apurações, como a lente de um farol auxiliar e fragmentos da parte frontal do veículo, incluindo um pedaço de fibra branca, possivelmente do para-choque.
Em registros feitos dias antes do atropelamento, o caminhão aparece sem danos aparentes. Já no dia do acidente, a mesma peça frontal surge danificada, compatível com os fragmentos recolhidos na rodovia. A placa do veículo só foi identificada novamente no dia 7 de janeiro, quando a carreta já havia passado por reparos.
Na noite da última quarta-feira (21), 19 dias após o atropelamento, o caminhoneiro foi abordado pela PRF junto a Polícia Civil. Coincidentemente, ele trafegava pela mesma BR-304 e foi interceptado no km 64, a cerca de dois quilômetros do local onde ocorreu a colisão.
Uma nova perícia apontou indícios de tentativa de fraude, devido aos reparos realizados no veículo. Em depoimento, o motorista alegou que acreditou ter atingido um objeto na pista, como um pneu abandonado, e não uma pessoa.
De acordo com os investigadores, a bicicleta da vítima estava com o pneu dianteiro sobre a via, o que pode ter dificultado uma reação imediata do condutor, mas isso não exclui a obrigação de prestar socorro.
A família de Anelise acompanha de perto o andamento do caso e cobra responsabilização. Além da investigação criminal, os familiares afirmam que pretendem buscar reparação na esfera cível, com pedidos de indenização por danos morais e materiais contra a empresa responsável pelo caminhão e também contra o poder público.
Após o acidente, moradores da região chegaram a bloquear a rodovia em protesto, cobrando mais segurança no trecho. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) instalou redutores de velocidade no local.
As investigações seguem em andamento. A polícia ainda analisa o tacógrafo do caminhão e novas imagens de vídeo para estimar a velocidade do veículo no momento do atropelamento, além de ouvir testemunhas para esclarecer a conduta do motorista e da vítima antes da colisão. O inquérito será concluído e encaminhado à Justiça após a finalização das diligências.
A defesa do caminhoneiro informou que considera o caso uma fatalidade e afirmou que o suspeito está à disposição da Justiça.