O dia 21 de janeiro entrará para a história do São Paulo como um dos momentos mais conturbados de sua quase centenária trajetória. Em um intervalo de poucas horas, o clube perdeu seu mandatário e, logo em seguida, foi derrotado em casa pela Portuguesa por 3 a 2, em jogo válido pela 4ª rodada do Paulistão.
O Terremoto Político: A renúncia de Julio Casares
Horas antes de a bola rolar, o clima nos bastidores do São Paulo atingiu o ponto de ruptura. Julio Casares renunciou oficialmente à presidência do clube na tarde de ontem, quarta-feira (21). A decisão foi o desfecho de uma crise iniciada na última sexta-feira (16), quando o Conselho Deliberativo aprovou a abertura de um processo de impeachment contra o dirigente por 188 votos a favor e 45 contra.
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Casares é investigado por supostos desvios de fundos das contas do clube (valores estimados em R$ 11 milhões) entre 2021 e 2025. Em carta aberta, o ex-presidente alegou ser vítima de um "ambiente de conspirações e mentiras", afirmando que renunciou para preservar sua saúde e sua família.
Com a vacância, o vice-presidente Harry Massis Júnior, de 80 anos, assumiu o comando do Tricolor de forma imediata. Ele deve completar o mandato, que se estende até o final de dezembro de 2026.
O jogo: Instabilidade refletida em campo
Sob o comando de Hernán Crespo, o São Paulo entrou em campo visivelmente afetado pelo caos administrativo. Apesar do apoio de mais de 25 mil torcedores, o time apresentou falhas defensivas cruciais. O primeiro tempo foi equilibrado, mas a rede só balançou na etapa final, que reservou fortes emoções.
Logo aos 4 minutos do 2º tempo, Renê abriu o placar para a Lusa após cruzamento de João Vitor. Aos 30 minutos, o jovem Pedro Ferreira serviu Jonathan Calleri, que empatou o jogo. Foi um gol carregado de simbolismo, onde o argentino não marcava há quase um ano devido a uma grave cirurgia no joelho.
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Apenas um minuto após o empate, o lateral Nicolas cometeu pênalti em Renê. O próprio atacante da Portuguesa cobrou e fez o 2 a 1. Aos 43, Maceió aproveitou rebote de Rafael e ampliou para 3 a 1. Já nos acréscimos, Calleri marcou novamente, usando a cabeça, diminuindo para 3 a 2, mas não houve tempo para o empate.
Conexão: Campo e Bastidor
A derrota para a Portuguesa não foi apenas um "acidente de percurso" tático. A conexão entre a saída de Casares e o rendimento da equipe é evidente.
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O técnico Crespo admitiu em coletiva que é impossível isolar os jogadores de uma crise institucional dessa magnitude. A falha individual no pênalti e o desânimo após o primeiro empate demonstraram um time psicologicamente frágil. Com o revés, o São Paulo estaciona nos 4 pontos e cai para a 12ª posição geral, ficando fora da zona de classificação para o mata-mata neste momento.
O São Paulo terá pouco tempo para lamber as feridas. O próximo compromisso é o Choque-Rei contra o Palmeiras, no sábado (24), às 18h30, na Arena Barueri. Será o primeiro grande teste da gestão de Harry Massis Júnior para tentar estabilizar o clube.