Internacional Devastação
Incêndios no sul do Chile deixam mortos e mais de 50 mil desalojados
Em meio ao verão no hemisfério sul bombeiros combatem 14 focos de incêndio nas regiões de Ñuble e Biobío, cerca de 500 km ao sul de Santiago.
19/01/2026 10h24
Por: Amanda Lafayette Fonte: G1
Foto:Reprodução/ REUTERS/Pablo Hidalgo

Os incêndios florestais que avançam de forma descontrolada no sul do Chile neste domingo (18) deixaram pelo menos 19 mortos, e cerca de 50.000 pessoas foram retiradas de suas residências, segundo um balanço das autoridades.

Em meio ao verão no hemisfério sul, com altas temperaturas e ventos fortes, bombeiros combatem 14 focos de incêndio nas regiões de Ñuble e Biobío, cerca de 500 km ao sul de Santiago.

"Estamos enfrentando um quadro complexo", disse o ministro do Interior, Álvaro Elizalde, sobre os incêndios que devastaram várias áreas povoadas durante a madrugada.

As chamas deixam um balanço parcial de 16 mortos, concentrados na região do Biobío, segundo o ministro da Segurança, Luis Cordero, que confirmou cerca de 50.000 evacuados.

epicentro da tragédia encontra-se nas localidades de Penco e Lirquén, em Concepción, com várias casas completamente destruídas pelo fogo, constatou um jornalista da AFP no local.

"Às duas e meia da madrugada, o fogo estava descontrolado. Havia um redemoinho que devorou as casas da população abaixo", contou à AFP Matías Cid, um estudante de 25 anos que reside em Villa Italia, em Penco.

“A velocidade das chamas foi tamanha que "tivemos de sair apenas com o que tínhamos vestido. Acho que se ficássemos mais 20 minutos, morreríamos carbonizados", acrescentou.

O prefeito de Penco, Rodrigo Vera, disse a jornalistas que só neste local 14 pessoas morreram carbonizadas.

(Foto: Reprodução/ Guillermo Salgado/ AFP)

Lirquén

Na vizinha Lirquén, o panorama era igualmente desolador. O incêndio avançou em "segundos e queimou várias populações". Muitos dos moradores "se salvaram do fogo porque correram para a praia", relatou à AFP Alejandro Arredondo, que mora na cidade.

"Não sobrou nada de pé", acrescentou o homem de 57 anos, diante de um cenário de destruição, com infraestruturas ainda em chamas.

Lirquén é uma pequena vila portuária, com aproximadamente 20.000 habitantes, de onde são enviados para o exterior, principalmente, produtos florestais.

(Foto: Reprodução/ REUTERS/Juan Gonzalez)

Incêndio fora de controle

As condições climáticas deste domingo "são muito difíceis" para dominar o incêndio "que está absolutamente fora de controle", assegurou o diretor da Corporação Nacional Florestal de Biobío (Conaf), Esteban Krause.

Para ambas as regiões eram esperadas temperaturas acima dos 30 graus e ventos fortes.

"Para as próximas horas, as condições climáticas não são boas e indicam temperaturas extremas", relatou Elizalde.

Cerca de 3.700 bombeiros combatiam as chamas.

Durante a madrugada, o presidente chileno, Gabriel Boric, decretou estado de catástrofe em Ñuble e Biobío.

"Todos os recursos estão disponíveis", informou o mandatário em postagem no X.

A medida implica, entre outras coisas, que as Forças Armadas tomarão o controle nestes locais. Boric visitará a região durante o dia.

Nos últimos anos, os incêndios florestais afetaram fortemente o Chile, especialmente na região centro-sul.

(Foto: Reprodução/ REUTERS/Juan Gonzalez)