Uma mulher de 46 anos foi condenada a cinco anos de prisão em Roraima por agredir e ameaçar a própria filha, de 17 anos. Segundo a Polícia Civil de Roraima (RR), os crimes de lesão corporal e racismo eram motivados por preconceito contra a identidade de gênero e a raça da adolescente, que sofria violência física e verbal constante.
A denúncia chegou às autoridades em março de 2025 e a condenação aconteceu em dezembro. No entanto, o caso se tornou público na última segunda-feira (12).
As investigações, segundo o delegado Matheus Rezende apontaram que a mãe manteve, por vários meses, uma conduta recorrente de ofensas e agressões motivadas por discriminação.
“Em depoimento à polícia, a adolescente relatou ter sido submetida a agressões verbais constantes, com o uso de expressões pejorativas e frases que negavam sua identidade de gênero, como ‘viado’, ‘preto’ e ‘você nunca vai ser mulher’. A própria acusada confirmou, na delegacia, que proferiu os xingamentos, alegando que agia como forma de ‘proteção’ e que buscava ‘despertar a filha para a vida real’”, pontuou o delegado.
Além das ofensas, o inquérito policial detalhou episódios de agressões físicas e ameaças graves, caracterizando um cenário contínuo de violência doméstica. A polícia frisou que os ataques tinham como alvo a identidade de gênero e a raça da vítima, que é uma adolescente transgênero. "Embora tenha sido designada do sexo masculino ao nascer, a vítima se reconhece e se identifica como mulher", disse a coorporação.