Economia Tarifaço
Trump anuncia taxação de 25% a países que fizerem negócios com o Irã; Brasil pode ser afetado
O Brasil pode ser impactado pela decisão devido à relação comercial com o Irã; empresas brasileiras importaram US$ 84,5 milhões do país, exportações somaram US$ 2,9 bilhões.
13/01/2026 12h01 Atualizada há 3 horas
Por: Amanda Lafayette Fonte: G1
Foto: Reproddução/ Don Emmert/AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (12) que irá impor tarifa de 25% a países que fizerem negócios com o Irã. Segundo o republicano, a medida passa a valer imediatamente.

"Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre quaisquer e todas as transações realizadas com os Estados Unidos. Esta ordem é final e conclusiva. Agradeço a atenção a este assunto", escreveu Trump na Truth Social.

O Brasil pode ser impactado pela decisão devido à relação comercial com o Irã. Em 2025, empresas brasileiras importaram US$ 84,5 milhões do país, principalmente ureia, pistache e uvas secas. Já as exportações somaram US$ 2,9 bilhões, com destaque para milho, soja e açúcar.

Com os números, o Irã não figura entre os 20 principais parceiros comerciais do Brasil, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). No entanto, é um dos principais destinos brasileiros no Oriente Médio.

Em sua publicação, Trump não especificou se a medida afetaria países que já negociam com o Irã ou apenas futuras transações.

Nos últimos dias, Donald Trump tem dado sinais de que os EUA podem interferir na onda de protestos que se espalha pelo Irã. Desde o fim de dezembro, milhares de pessoas têm ido às ruas nas principais cidades do país contra o regime do aiatolá Ali Khamenei.

Segundo o jornal "The Wall Street Journal", o republicano estaria disposto a autorizar um ataque ao país, enquanto integrantes do alto escalão da Casa Branca tentam convencê-lo a priorizar uma saída diplomática.

No sábado (10), o presidente norte-americano afirmou que o Irã está “buscando a liberdade” e disse que os EUA “estão prontos para ajudar”. No dia seguinte, declarou que considera “opções muito fortes” em relação ao país.

Segundo o WSJ, a Casa Branca avalia uma proposta de última hora para conter o programa nuclear iraniano. O tema esteve no centro da guerra entre Israel e Irã, em junho de 2024, encerrada após um ataque americano.

Trump deve se reunir com auxiliares nesta terça-feira (13) para discutir opções em relação ao Irã. O presidente ainda não teria tomado uma decisão final e, embora esteja inclinado a uma ação militar, pode mudar de posição, reportou o Wall Street Journal.

Os protestos no Irã já deixaram mais de 600 mortos, segundo organizações de direitos humanos. Mais de 10 mil pessoas foram presas até esta segunda-feira. Em meio às manifestações, o governo iraniano ordenou o corte da internet, isolando o país.

Crise no Irã

O Irã enfrenta dificuldades econômicas há anos, afetado principalmente pela reimposição de sanções pelos EUA. A medida foi adotada em 2018, quando Trump, em seu primeiro mandato, deixou o acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano.

·          Ao retornar à Casa Branca, em janeiro de 2025, o republicano retomou a política de pressão máxima contra o Irã.

·    Em setembro, sanções também foram impostas pelas Nações Unidas, o que levou o governo iraniano a realizar reuniões para tentar evitar um colapso econômico.

·       A situação também foi agravada pelo conflito entre Irã e Israel, em junho. À época, forças israelenses e dos EUA realizaram ataques contra alvos ligados ao programa nuclear iraniano.

Em meio a esse cenário, a população passou a enfrentar inflação elevada, superior a 40% ao ano. O descontentamento também cresceu diante da desigualdade entre cidadãos comuns e a elite do país, além de denúncias de corrupção no governo.

No fim de dezembro, o presidente do Banco Central do Irã renunciou ao cargo. A mídia iraniana afirmou que políticas recentes de liberalização econômica pressionaram a moeda local, o que levou a uma rápida desvalorização.

Somente em 2025, o rial iraniano perdeu cerca de metade de seu valor em relação ao dólar e atingiu a mínima histórica neste mês.

O contexto econômico se soma a tensões políticas internas. Desde a Revolução Islâmica de 1979, o Irã é uma república teocrática, na qual a autoridade máxima é o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Ele está no poder há mais de 30 anos.

O regime é alvo de críticas por violações de direitos humanos e restrições a liberdades sociais, especialmente entre os mais jovens, que lideraram diversos protestos nos últimos anos.

 (Foto: Reprodução/Mouneb Taim/NurPhoto via Getty Images)

Impacto do ‘tarifaço’ no Brasil

Em abril de 2025, ao anunciar as chamadas tarifas recíprocas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aplicou uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros.

Em julho, houve um novo aumento de 40%, elevando a alíquota total para até 50%, com a medida entrando em vigor em 6 de agosto. Apesar disso, uma ampla lista de exceções deixou de fora da sobretaxa itens como suco de laranja, aeronaves civis, petróleo, veículos e autopeças, fertilizantes e produtos do setor energético.

Desde então, parte dos produtos brasileiros passou a pagar apenas o imposto extra de 40%, enquanto outros acumulam essa sobretaxa com a taxa de 10%.

Já em novembro, após Trump iniciar negociações diretas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os EUA retiraram a tarifa de 40% de novos itens, incluindo café, carnes e frutas. Meses antes da decisão, em discurso na ONU, o republicano afirmou ter tido uma “química excelente” com Lula.

Mesmo após a retirada da tarifa adicional, 22% das exportações brasileiras para os EUA ainda estão sujeitas a tarifas elevadas, e apenas 36% das vendas entram no mercado americano sem encargos extras.

(Foto: Reprodução)