Economia Agronegócio
Embarque de manga cresceu mesmo com tarifaço
Estatísticas confirmam que desde agosto, início do tarifaço, até novembro foram exportadas 36,3 mil toneladas de manga aos EUA, 16,6% mais que as 31,1 mil toneladas no mesmo intervalo de 2024.
15/12/2025 09h43
Por: Amanda Lafayette Fonte: Globo Rural
Foto: Reprodução

O tarifaço de 40% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros levou grande incerteza aos exportadores de manga do Vale do São Francisco quando foi anunciado, em agosto. Na região de Juazeiro, maior produtor nacional da fruta, o receio era de que o mercado doméstico fosse inundado com a variedade tommy, a mais exportada aos norte-americanos. Entretanto, houve um aumento nos embarques aos EUA.

As estatísticas confirmam: de agosto, início do tarifaço, até o mês passado - quando as taxas ainda estavam em vigor – foram exportadas 36,3 mil toneladas de manga aos EUA, 16,6% mais que as 31,1 mil toneladas no mesmo intervalo de 2024. A receita com as exportações, contudo, recuou 24% na mesma base de comparação, indicando queda expressiva nos preços médios de venda. Saiu de US$ 39,3 milhões entre agosto e novembro do ano passado para US$ 29,8 milhões no mesmo período deste ano, conforme dados do ComexStat, portal de estatísticas de comércio exterior do Brasil. Os dados incluem mangas frescas ou secas.

Guilherme Coelho, presidente da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), afirma que não houve queda nos volumes porque prevaleceu o “bom senso e o equilíbrio” nas negociações. Segundo ele, exportadores, importadores e distribuidores negociaram e decidiram, em consenso, dividir o custo da taxação, o que tornou viável os embarques.

Outros fatores favoreceram os exportadores brasileiros, disse Coelho. Normalmente, a manga do Brasil entra no mercado americano a partir de agosto, quando o México ainda está vendendo a fruta aos EUA. Mas neste ano, o país saiu mais cedo das vendas. Além disso, o Equador, que tradicionalmente exporta manga aos EUA a partir da segunda quinzena de outubro, atrasou sua entrada. Com isso, o Brasil, que exporta entre agosto e novembro, acabou beneficiado. “Os exportadores conseguiriam atravessar a safra sem grandes percalços”, afirmou.

João Marcos Souza, da área de mercado externo da GrandValle, de Casa Nova, disse que a taxação de 40% afetou a expansão de novas parcerias pela empresa produtora e exportadora de frutas. “Mas os parceiros [comerciais] que já estavam com a gente, eles vestiram a camisa e tentaram trabalhar do nosso lado, o que ajudou a manter a exportação aos EUA”.

Com a retirada da taxação para a manga, a expectativa de produtores da região é de normalização e aumento das vendas aos EUA na próxima temporada. Persiste, porém, a preocupação em relação à uva de mesa, que continua taxada, o que fez as vendas ao mercado americano despencarem. Pernambuco e Bahia são os dois principais exportadores.