Sociedade Sociedade
Novembro Azul: cirurgia de próstata com robô agora é direito
No Novembro Azul, urologista explica o que muda para os homens com câncer de próstata desde que a cirurgia robótica passou a ter cobertura obrigatória pelos planos de saúde, o que os estudos mostram sobre a recuperação urinária e sexual após o pro...
05/11/2026 17h58
Por: Redação Portal Verdes Campos Sat Fonte: Agência Dino

A campanha Novembro Azul de 2026 chega em um momento de mudança na urologia. Exames de imagem mais precisos, sistemas de inteligência artificial em validação e a cirurgia assistida por robô alteraram a forma como o câncer de próstata é investigado e tratado. Este texto reúne o que os estudos mostram sobre cada uma dessas tecnologias, o que mudou na cobertura pelos planos de saúde e pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e porque nenhuma delas substitui a avaliação individual feita pelo urologista.

O Brasil deve registrar 77.920 novos casos de câncer de próstata por ano entre 2026 e 2028, segundo a estimativa nacional do Instituto Nacional de Câncer (INCA). De acordo com o Ministério da Saúde, a doença pode não apresentar sintomas na fase inicial, e o tratamento nessa etapa aumenta a chance de sucesso.

O urologista Dr. Fernando Marsicano (CRM-MG 27082 | RQE 11434), que atua em Belo Horizonte há mais de três décadas no tratamento do câncer de próstata e em cirurgia robótica, afirma que "a tecnologia ampliou as opções de diagnóstico e tratamento, mas não mudou o ponto de partida: a conversa entre médico e paciente".

Ressonância magnética antes da biópsia

Uma das mudanças mais consolidadas ocorre antes da biópsia. O estudo PRECISION, publicado em 2018 no New England Journal of Medicine, comparou a biópsia convencional guiada por ultrassom com uma estratégia que começa pela ressonância magnética multiparamétrica. No grupo da ressonância, 28% dos homens não precisaram de biópsia, porque o exame não apontou suspeita. A estratégia também identificou mais tumores clinicamente significativos (38% contra 26%) e menos tumores de baixo risco (9% contra 22%), que em geral não exigem tratamento imediato. O ensaio clínico reuniu 500 homens com suspeita da doença em centros de 11 países.

Quando a imagem mostra uma área suspeita, a biópsia pode ser direcionada a esse ponto com técnicas que fundem as imagens da ressonância e do ultrassom, o que reduz o número de fragmentos retirados.

Inteligência artificial como apoio ao especialista

A inteligência artificial atua nessa mesma etapa. O estudo internacional PI-CAI, publicado em 2024 na revista The Lancet Oncology, analisou mais de 10 mil exames de ressonância de próstata. O sistema avaliado teve, em média, desempenho superior ao de 62 radiologistas que usavam o protocolo padrão de leitura e resultado comparável ao da rotina clínica multidisciplinar. Os autores descrevem a ferramenta como apoio ao diagnóstico.

"A inteligência artificial funciona como uma segunda leitura do exame e ajuda a reduzir diferenças entre avaliações. A indicação de biópsia e a escolha do tratamento continuam sendo decisões médicas, que consideram o PSA, o exame físico, a idade e a história de cada paciente", explica Dr. Fernando Marsicano.

Como funciona a cirurgia robótica

Quando o tratamento indicado é a retirada da próstata, chamada prostatectomia radical, a cirurgia pode ser feita pela via aberta, por videolaparoscopia ou com assistência robótica. Na técnica robótica, o cirurgião opera sentado em um console, com imagem tridimensional ampliada, e comanda braços articulados que reproduzem seus movimentos e filtram tremores.

"O robô não opera sozinho. Ele amplia a precisão do cirurgião em uma região estreita da pelve, onde ficam os nervos ligados à ereção e o esfíncter que controla a urina. O resultado depende também da experiência da equipe, do estágio do tumor e das condições do paciente antes da cirurgia", afirma o urologista.

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) avaliou as evidências científicas sobre a técnica e publicou um relatório em linguagem acessível ao público. Segundo o documento, a cirurgia robótica foi associada a menor necessidade de transfusão de sangue e a menos complicações graves do que a cirurgia aberta, além de melhor preservação das funções urinária e sexual quando comparada à videolaparoscopia. A própria comissão classificou a qualidade dessas evidências entre moderada e baixa.

O custo de aquisição e manutenção do equipamento é elevado, e as avaliações internacionais citadas pela Conitec indicam que a cirurgia robótica tende a ser mais eficiente em centros com grande volume de procedimentos, a partir de cerca de 150 cirurgias por ano. Por isso, a comissão defendeu que o uso da técnica no SUS seja concentrado em hospitais de alta complexidade, com equipes treinadas.

Cobertura pelos planos de saúde e pelo SUS

A Conitec recomendou a incorporação da prostatectomia radical assistida por robô ao SUS em agosto de 2025, para casos de câncer localizado ou localmente avançado. Na sequência, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) incluiu o procedimento no rol de cobertura obrigatória dos planos de saúde, com vigência desde 1º de abril de 2026. Trata-se da primeira cirurgia robótica com essa obrigatoriedade no país. Segundo a Conitec, a rede pública contava com 40 robôs em funcionamento no momento da avaliação, com concentração nas regiões Sul e Sudeste.

"A cobertura obrigatória amplia o acesso, mas a indicação da cirurgia robótica é individual. Há pacientes para os quais a vigilância ativa, a radioterapia ou outra técnica cirúrgica são mais adequadas", pondera Dr. Fernando Marsicano.

Tecnologia não substitui a consulta

As diretrizes do Ministério da Saúde orientam que a decisão sobre exames de detecção precoce, como o PSA, seja individual e compartilhada entre médico e paciente, com informação sobre benefícios e riscos. Homens com histórico familiar da doença ou outros fatores de risco devem discutir com o urologista o momento de iniciar essa avaliação.

Para o Dr. Fernando Marsicano, "os avanços tecnológicos têm mais impacto quando o câncer é identificado cedo, fase em que as opções de tratamento são mais amplas e as chances de preservar a qualidade de vida são maiores". Ele recomenda que "homens com diagnóstico confirmado conheçam todas as alternativas disponíveis antes da escolha da técnica".

Para mais informações acesse nosso site.

Assessoria de Imprensa