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Cruzeiro bate o Corinthians nos pênaltis e coroa campanha histórica com o título da Libertadores Feminina
Em uma disputa emocionante com oito gols e disputa de pênaltis, as Cabulosas puseram fim a dinastia das Brabas na competição continental.
01/11/2026 11h06
Por: Emanuel Lucas
Foto: Reprodução/CONMEBOL

A noite de ontem (31) entrou para a história do futebol sul-americano e para a galeria dos jogos mais eletrizantes já disputados na modalidade. No Estádio Rodrigo Paz Delgado, em Quito, no Equador, Cruzeiro e Corinthians protagonizaram uma final de proporções épicas pela CONMEBOL Libertadores Feminina 2026. Em um duelo decidido apenas nas penalidades após um impressionante empate por 4 a 4 no tempo regulamentar, as Cabulosas superaram as favoritas alvinegras, conquistaram o título continental em sua estreia absoluta no torneio e mantiveram a hegemonia do Brasil na competição — chegando à 15ª taça para o país.

 

Um início fulminante e o domínio alvinegro

O confronto começou em altíssima rotação. Precisando impor sua experiência e tradição na busca pelo tetracampeonato consecutivo, o Corinthians abriu o placar logo com o relógio tendo apenas 3 minutos de partida: Gi Fernandes cruzou na medida para Gabi Zanotti testar firme para o fundo das redes.


Foto: Reprodução/CONMEBOL

O golpe inicial desestabilizou momentaneamente o time mineiro, e o Timão aproveitou para fazer o 2 a 0 ainda na primeira etapa com Gabi Zanotti após um erro na saída de bola das cabulosas e fez o 3 a 0 logo no início da segunda etapa com Vic Albuquerque, construindo uma vantagem que parecia irreversível na decisão.

 

A reação histórica das Cabulosas

O que parecia uma vitória definida transformou-se em uma das maiores viradas e demonstrações de resiliência da história do torneio. O Cruzeiro mostrou brio, intensidade e uma força mental impressionante. Logo após sofrer o terceiro, o Cruzeiro respondeu. Após cruzamento da direita e vacilo da defesa corintiana, Byanca Brasil não desperdiçou e empurrou para o gol. Pouco depois, em penalidade máxima assinalada a favor das mineiras, Vitória Calhau bateu com extrema categoria no ângulo esquerdo, diminuindo para 3 a 2.


Foto: Reprodução/CONMEBOL

O Corinthians ainda tentou respirar e marcou o quarto com Vic Albuquerque. Contudo, as celestes não desistiram. Aos 29 minutos, Ketlin escorou de cabeça após escanteio cobrado por Byanca Brasil. E, no abafa final, aos 45 minutos do segundo tempo, Letícia Ferreira subiu com estilo em cabeceio preciso, encobriu a goleira Lelê e decretou o inacreditável 4 a 4 no placar.

 

A decisão nos pênaltis e a glória eterna

Com a igualdade dramática no tempo regulamentar, a taça foi decidida na marca da cal. Na tensa disputa de penalidades, a estrela da goleira maranhense Camila Rodrigues brilhou intensamente. Após cobranças precisas de ambos os lados, Camila defendeu a penalidade decisiva cobrada por Gi Fernandes, fechando a série em 5 a 4 para o Cruzeiro.


Foto: Reprodução/CONMEBOL

Com o apito final, a festa celeste tomou conta de Quito. Além do troféu mais cobiçado da América do Sul, o Cruzeiro faturou uma premiação de US$ 2 milhões (cerca de R$ 10 milhões). A veterana Byanca Brasil conquistou o seu terceiro caneco de Libertadores por clubes diferentes, enquanto que o Cruzeiro entra para um seleto grupo de equipes que ergueram a taça logo em sua primeira participação — façanha que não ocorria desde o Palmeiras em 2022.


Foto: Reprodução/CONMEBOL

Além da premiação financeira, o Cruzeiro garantiu vaga para a próxima edição da Libertadores como atual campeão, além de garantir duas vagas para competições de caráter mundial. Em Janeiro, as cabulosas vão disputar a Copa Intercontinental nos EUA entrando direto na semifinal, onde enfrentará o Barcelona, além de ser a primeira equipe sulamericana a garantir vaga na inédita Copa do Mundo Feminina de Clubes de 2028 (versão da Copa de Clubes Masculina que foi disputada no ano passado nos EUA).

 

Frustração das Brabas

Do lado corinthiano, fica o gosto amargo de mais um vice-campeonato na temporada, onde perdeu a Intercontinental para o Arsenal (ING); a final da Supercopa do Brasil para o maior rival, Palmeiras e a final do Brasileirão Feminino também para um rival, o São Paulo. O Corinthians agora vai tentar salvar a temporada com o título do Paulistão Feminino, onde está na fase de play-in, quando enfrentará o Bragantino.