Seis pessoas foram presas na manhã desta quarta-feira (28 de outubro), em Parnaíba, no litoral do Piauí, durante a Operação Cripto-Quimera, que investiga um esquema de golpes virtuais envolvendo falsas ofertas de investimentos em criptomoedas e lavagem de dinheiro.
Segundo a investigação, uma vítima em Goiás teve um prejuízo de R$ 250.105,33 após criminosos movimentarem mais de R$ 477 mil de suas contas bancárias.
A operação foi coordenada pela Polícia Civil de Goiás, com apoio das forças de segurança do Piauí e de São Paulo. Ao todo, foram expedidos 33 mandados judiciais, sendo 14 de prisão temporária e 19 de busca e apreensão. As ações ocorreram em Parnaíba e nos municípios paulistas de São Paulo, Guarulhos, Osasco e Guarujá.
Em Parnaíba, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão e seis de prisão. Durante as diligências, os policiais apreenderam celulares e documentos que deverão contribuir para o aprofundamento das investigações.
De acordo com a Polícia Civil, as investigações começaram após uma ocorrência registrada em Goiânia, em março de 2023.
Na ocasião, os suspeitos teriam invadido o perfil de uma pessoa próxima à vítima em uma rede social e utilizado a conta para divulgar falsas oportunidades de investimento em criptomoedas, com promessas de rendimentos elevados e imediatos.
A vítima acreditou nas ofertas e entrou em contato com os responsáveis pelas publicações. Em seguida, foi direcionada a supostos atendentes e supervisores de uma plataforma de investimentos.
Durante as conversas, os investigados convenceram a vítima a instalar um aplicativo de suporte e acesso remoto no celular, alegando que a ferramenta seria necessária para configurar uma carteira digital.
Com o acesso ao aparelho, os suspeitos realizaram transferências bancárias em um intervalo de 24 horas. O total movimentado chegou a R$ 477.083,79.
Desse montante, R$ 226.978,46 foram estornados, enquanto o prejuízo efetivo ficou em R$ 250.105,33.
Segundo a investigação, o grupo teria uma estrutura organizada para movimentar os recursos obtidos com os golpes e dificultar o rastreamento da origem do dinheiro.
Os valores eram inicialmente depositados em contas bancárias vinculadas a empresas recém-criadas ou de fachada, utilizadas para simular transações comerciais legítimas.
Depois, o dinheiro era fragmentado e transferido para contas de diferentes beneficiários em vários estados. A etapa seguinte envolvia dezenas de pequenas transações, movimentações entre integrantes do grupo, transferências por contas de estabelecimentos comerciais e saques em espécie.
De acordo com a Polícia Civil, pessoas identificadas na movimentação financeira possuíam registros criminais por tráfico de drogas, roubo majorado, receptação e estelionato.
O delegado Matheus Zanatta, superintendente de Operações Integradas da Secretaria da Segurança Pública do Piauí, informou que os presos em Parnaíba são suspeitos de participar da movimentação e distribuição dos valores.
A investigação também prevê o sequestro judicial de bens e recursos de aproximadamente R$ 250 mil, com o objetivo de assegurar a recuperação do dinheiro relacionado ao prejuízo da vítima.
O delegado Ayslan Magalhães, da 1ª Divisão de Repressão e Combate ao Tráfico de Drogas de Parnaíba, informou que os seis presos foram encaminhados à Central de Flagrantes.
Os celulares e documentos apreendidos serão utilizados para aprofundar o inquérito conduzido pela Polícia Civil de Goiás.
Segundo o delegado, uma das pessoas presas tinha antecedente criminal por estupro. Em um dos imóveis vistoriados, os policiais também encontraram elementos relacionados a uma investigação de tráfico de drogas realizada no início de outubro.
Ayslan Magalhães afirmou ainda que a maioria dos alvos estava desempregada e que a suspeita é de que eles recebessem valores em suas contas bancárias e os transferissem para outros destinatários, dificultando o rastreamento dos recursos.
Os investigados poderão responder por fraude eletrônica, associação criminosa e lavagem de dinheiro, conforme a participação de cada um no esquema.
A Operação Cripto-Quimera foi coordenada pelo Grupo de Repressão a Estelionato e Outras Fraudes, vinculado à Delegacia Estadual de Investigações Criminais da Polícia Civil de Goiás.
A ação contou com apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública e das polícias civis do Piauí e de São Paulo.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Piauí, a atuação conjunta busca combater crimes cibernéticos e esquemas financeiros que envolvem diferentes estados, por meio do compartilhamento de informações e da integração das equipes de investigação.