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Hospital de Câncer do Acre inicia radiocirurgia e garante tratamento mais rápido e com menos efeitos colaterais
Tecnologia de ponta, cuidado mais humano e recuperação acelerada formam os pilares do novo método adotado no tratamento de pacientes com câncer em ...
26/10/2026 13h45
Por: Redação Portal Verdes Campos Sat Fonte: Secom Acre

Tecnologia de ponta, cuidado mais humano e recuperação acelerada formam os pilares do novo método adotado no tratamento de pacientes com câncer em Rio Branco. No fim de setembro, o Serviço de Radioterapia do Hospital de Câncer do Acre (Unacon), localizado em Rio Branco, passou a realizar, pela primeira vez na história do estado, procedimentos de radiocirurgia.

A radiocirurgia é uma técnica moderna de radioterapia que utiliza feixes de radiação extremamente precisos para tratar tumores e outras lesões. Foto: José Caminha/Secom

A implantação da radiocirurgia representa um avanço decisivo para a saúde pública acreana. Além de ampliar o acesso da população a uma tecnologia de alta complexidade, o novo recurso reduz a necessidade de Tratamento Fora de Domicílio (TFD), diminui custos indiretos para o sistema de saúde e evita o desgaste físico e emocional de pacientes e familiares que antes precisavam buscar atendimento especializado em outros estados.

O radio-oncologista Melk Hadad explica que, apesar do nome, a radiocirurgia não envolve cortes ou procedimentos invasivos. Trata-se de uma técnica moderna de radioterapia que utiliza feixes de radiação extremamente precisos para cuidar de tumores e outras lesões, sem necessidade de internações prolongadas.

“A radiocirurgia é indicada principalmente para pacientes com metástases cerebrais e tumores no cérebro. Fora da região cerebral, também pode ser aplicada em lesões no fígado, rins, glândulas adrenais e vértebras. O método segue o mesmo princípio da radioterapia estereotáxica, mas com a vantagem de poder ser realizado em uma única sessão ou em até três frações, dependendo do caso”, explica.

Radio-oncologista Melk Hadad explica que procedimento é um avanço histórico. Foto: José Caminha/Secom

Menos invasivo

Antes da implantação da técnica no Acre, pacientes com metástase cerebral eram submetidos a tratamentos mais longos, com cerca de dez aplicações que irradiavam todo o cérebro.

“Com a radiocirurgia, apenas a área da lesão recebe radiação, preservando as estruturas ao redor e reduzindo efeitos colaterais importantes, como alterações cognitivas, perda de memória e dificuldades de raciocínio”, informa Hadad.

O especialista reforça que o procedimento representa um avanço pioneiro no Estado. “Antes, eram tratamentos mais demorados. Agora conseguimos alcançar a dose necessária em uma a três sessões”, afirma.

Sobre o tempo de realização, o médico destaca que, embora a radiocirurgia possa durar um pouco mais que uma aplicação convencional de radioterapia, o ganho para o paciente é expressivo.

Paciente passa por procedimento sem cortes. Foto: José Caminha/Secom

“O procedimento de radiação leva cerca de sete minutos, e o tempo total em sala fica entre 15 e 20 minutos. Antes, esses pacientes ficavam em tratamento por 10 dias ou até 30 dias, no caso de tumores cerebrais”, relata.

A recuperação também é imediata. O paciente chega ao hospital, faz a aplicação e retorna para casa no mesmo dia. “Não há necessidade de internação, anestesia ou período prolongado de observação. A única preparação é a fixação de uma máscara perfurada, que permite respirar normalmente e evita movimentos durante o procedimento”, detalha o radio-oncologista.

Quando o tratamento é feito em dose única, a alta se dá no mesmo dia. Nos casos em que são necessárias três frações, o paciente é liberado ao fim da última sessão e segue para acompanhamento com seu oncologista.

Elizeu dos Santos foi um dos primeiros pacientes a passar pela radiocirurgia no Unacon. Foto: José Caminha/Secom

Momento histórico

O especialista frisa que este é um momento histórico para a oncologia acreana e para a saúde pública do estado. O Unacon atende diariamente cerca de 80 pacientes com diferentes tipos de tumores, e a estimativa é que entre 10% e 20% deles tenham indicação para a radiocirurgia.

“Antes, esses casos eram tratados com dez frações. Agora conseguimos reduzir para uma a três, com mais precisão e menos efeitos colaterais”, descreve Hadad.

Na prática, a nova tecnologia permite concentrar altas doses de radiação diretamente na área doente, preservando ao máximo os tecidos saudáveis ao redor. Isso se traduz em maior eficácia terapêutica, menos efeitos adversos e mais conforto para os pacientes.

Para muitos casos, especialmente tumores cerebrais e determinadas lesões localizadas em outras partes do corpo, um tratamento que antes exigia várias sessões ou até deslocamento para centros especializados fora do estado agora pode ser feito em Rio Branco, com segurança, qualidade e acompanhamento integral.

Para Elizeu, a esperança é voltar a andar e ter autonomia. Foto: José Caminha/Secom

‘Tenho esperança de voltar a andar’

O primeiro paciente a passar pelo procedimento foi Elizeu dos Santos, de 54 anos, que conta que os primeiros sinais do problema surgiram como um desconforto nas costas e no braço. Buscou atendimento diversas vezes, mas nenhum exame inicial identificou a causa. “Procurei o posto três, quatro vezes, e ninguém descobria nada”, lembra.

Sem melhora, procurou um ortopedista particular. Foi somente após realizar uma ressonância que veio o diagnóstico de uma lesão na coluna que já comprometia o movimento da perna esquerda. “Quando saiu o laudo, sete dias depois, a outra perna também já tinha parado”, relata, emocionado.

Implantação da radiocirurgia representa um avanço decisivo para a saúde pública acreana. Foto: José Caminha/Secom

Ao retornar ao pronto-socorro com o resultado, foi imediatamente internado. “Quando viram o laudo, automaticamente me internaram. A lesão já estava pressionando a medula”, detalha.

Elizeu passou por cirurgia para retirada de parte do tumor e realização de biópsia. Agora, aguarda a conclusão da investigação médica para identificar a origem do câncer e definir o tratamento adequado: “Cada tipo de câncer tem um remédio diferente e eles precisam descobrir de onde começou”.

Durante essa investigação, novos exames revelaram também lesões na cabeça. “Fizeram tomografia e ressonância. Quando levei o laudo no pronto-socorro, ficou claro que tinha outra lesão”, conta. Após a cirurgia na coluna, Elizeu foi submetido à radiocirurgia, tornando-se um dos primeiros pacientes a receber a tecnologia.

“É um tratamento menos invasivo, e eu tenho muita esperança de que vai dar certo. Quero ficar bom e voltar a andar. Tenho fé que vai dar certo”, anseia.

Cátia Nascimento tem acompanhado o marido e celebra o novo procedimento menos invasivo. Foto: José Caminha/Secom

Apego à fé e à ciência

A esposa de Santos, Cátia Nascimento, informa que a doença mudou completamente a rotina da família em um curto espaço de tempo. E lembra que o marido era uma pessoa ativa, trabalhava e caminhava normalmente, até que, em apenas dois meses, viu sua vida se transformar.

“É uma doença que a gente não deseja para ninguém. Ver uma pessoa normal, que fazia tudo, de repente ficar nessa situação. Não é fácil, nem pra ele, nem pra nós”, desabafa.

Mesmo diante das dificuldades, Cátia diz que a família se mantém esperançosa. “A gente continua acreditando que Deus pode fazer um milagre. Agora ele está passando por um novo procedimento, e estamos confiantes. Aqui em Rio Branco, isso era muito necessário”, analisa.

Cátia menciona ainda o acolhimento da equipe médica, que, segundo observa, faz toda a diferença durante o tratamento: “O doutor Melk é maravilhoso. Explica tudo direitinho, deixa a gente confortável”.

Cátia relata que a vida da família ficou de cabeça para baixo. Foto: José Caminha/Secom

O impacto emocional, segundo Cátia, é grande, e a fé tem sido fundamental. “É uma coisa que dói, que machuca. A gente fica pra baixo, mas ao mesmo tempo fica pra cima, porque temos um Deus que pode tudo”, acredita.

Ao falar sobre a importância da tecnologia e da rapidez no diagnóstico, reforça que o atendimento adequado foi decisivo.

Equipe celebra avanços e suporte da tecnologia para tratamento de doenças. Foto: José Caminha/Secom

“Primeiramente, agradeço a Deus porque Elizeu está sendo bem-assistido. Foi tudo descoberto em dois meses, e ele está sendo acompanhado por profissionais muito bons. Essa tecnologia que chegou em Rio Branco veio pra melhorar. A gente acredita que vai ajudar muita gente”, avalia.

Cátia vê a radiocirurgia como um avanço essencial para o estado: “É um procedimento sem corte, sem dor. Uma coisa muito boa para o nosso Acre, que estava precisando dessa tecnologia no Unacon”.

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