Polícia Operação
Operação mira organização suspeita de planejar execução de delegados no Piauí
Dez investigados são alvos da ação, que também tem desdobramentos na Bolívia e no Uruguai; investigação aponta investimento de cerca de R$ 1 milhão nos planos
28/09/2026 07h37
Por: Adilson Carlos

Uma operação foi deflagrada nesta segunda-feira (28) contra uma organização criminosa investigada por planejar ataques contra dois delegados no Piauí. Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Estado, o grupo teria destinado cerca de R$ 1 milhão para colocar os atentados em prática. Ao todo, dez investigados são alvos da ação.

De acordo com as investigações, o dinheiro seria utilizado para contratar executores de outros estados, além da aquisição de armas, veículos e de um imóvel que serviria de apoio às ações criminosas. A operação também possui desdobramentos internacionais, com diligências realizadas na Bolívia e no Uruguai, com participação da Interpol.

A investigação aponta que o planejamento dos ataques teria começado depois de a organização sofrer prejuízos considerados milionários em operações policiais de combate ao tráfico de drogas no Norte do Piauí.

Entre as ações citadas está uma operação realizada em Bom Princípio do Piauí, onde aproximadamente uma tonelada de drogas, principalmente cocaína, foi apreendida em uma propriedade rural. Parte dos entorpecentes estava escondida em recipientes e tambores enterrados.

Delegado era monitorado

Segundo a investigação, integrantes da organização passaram a acompanhar a rotina do delegado Charles Pessoa. Os criminosos teriam observado horários frequentados pelo policial, incluindo momentos em que ele ia a uma academia, além de seus deslocamentos e compromissos públicos.

O objetivo, conforme os investigadores, seria identificar momentos de maior exposição para realizar o ataque. O planejamento teria como período de execução a campanha eleitoral, quando o delegado estaria mais exposto em razão de suas atividades.

Um dos ataques, segundo a investigação, chegou a ser planejado para a última quinta-feira (24), em Teresina. A ação, porém, foi identificada previamente pelo setor de inteligência, que adotou medidas para impedir que o atentado fosse realizado.

As investigações também apontam que a organização possuía uma divisão de tarefas, com integrantes responsáveis por buscar possíveis executores e providenciar armas e outros recursos necessários para os ataques.

Ainda segundo as informações divulgadas pela segurança pública, parte das ordens continuava sendo repassada mesmo de dentro do sistema prisional. O caso segue sendo investigado para esclarecer a participação de cada um dos envolvidos e a estrutura utilizada no planejamento dos atentados.