Geral Saúde
Como identificar sinais de sofrimento emocional e saber quando alguém precisa de ajuda
Mudanças de comportamento, isolamento e perda de interesse podem indicar que algo não vai bem e merecem atenção
21/09/2026 15h16
Por: Fabio Brito Fonte: Assessoria

Nem sempre quem está passando por um período de sofrimento emocional consegue falar sobre o que está sentindo. Em muitos casos, os primeiros sinais aparecem no comportamento: uma pessoa que antes era comunicativa passa a se isolar, perde o interesse por atividades de que gostava ou apresenta mudanças significativas no sono, no apetite e na rotina. Reconhecer essas alterações pode ser o primeiro passo para oferecer acolhimento e incentivar a busca por ajuda.

Segundo Ítalo Silva, psicólogo e coordenador do curso de Psicologia da Estácio, é importante observar não apenas uma mudança isolada, mas a frequência, a intensidade e o impacto desses comportamentos na vida da pessoa.

“Nem toda mudança de comportamento significa que existe um problema de saúde mental. O sinal de alerta aparece quando essas alterações persistem, se intensificam ou começam a interferir na rotina, nos relacionamentos e na qualidade de vida. Nesses casos, é importante olhar para essa pessoa com mais atenção e tentar compreender o que ela está vivendo”, explica.

Quais sinais merecem atenção?

Entre os comportamentos que podem indicar sofrimento emocional estão o isolamento social, a perda de interesse por atividades que anteriormente proporcionavam prazer, alterações importantes no sono ou na alimentação, irritabilidade, queda no rendimento e falas frequentes relacionadas à desesperança, inutilidade ou falta de perspectiva.

O especialista ressalta que esses sinais não devem ser utilizados para fazer diagnósticos, mas podem servir como um alerta para que familiares, amigos e colegas se aproximem.

Como abordar alguém que está sofrendo?

Ao perceber mudanças significativas, a orientação é buscar uma conversa acolhedora, sem julgamentos ou cobranças. Perguntar como a pessoa está e demonstrar disponibilidade para ouvir pode ser mais importante do que tentar encontrar imediatamente uma solução.

“Uma das coisas mais importantes é não minimizar aquilo que o outro está sentindo. Frases como ‘isso é só uma fase’ ou ‘você precisa ser mais forte’ podem fazer com que a pessoa se sinta ainda mais incompreendida. Muitas vezes, o primeiro passo é simplesmente ouvir e mostrar que estamos disponíveis”, orienta Ítalo.

Também não é necessário ter respostas prontas para todos os problemas. Amigos e familiares podem ajudar a pessoa a reconhecer a necessidade de apoio e incentivar a procura por um profissional de saúde mental.

Quando buscar ajuda?

Quando o sofrimento começa a comprometer a rotina, os relacionamentos ou a capacidade de realizar atividades do dia a dia, a recomendação é buscar avaliação profissional. Situações que envolvam falas sobre morte, desejo de desaparecer ou falta de perspectiva exigem atenção imediata e devem ser levadas a sério.

“O cuidado com a saúde mental não deve começar apenas quando a situação chega ao limite. Perceber mudanças, conversar, acolher e buscar ajuda quando necessário são atitudes de prevenção e cuidado”, destaca o psicólogo.

A discussão ganha ainda mais espaço durante o Setembro Amarelo, período dedicado à conscientização sobre a prevenção do suicídio e à valorização da vida, mas, para o especialista, a atenção à saúde mental precisa fazer parte da rotina durante todo o ano.