Saúde Alerta
Alerta na pediatria: o perigo das canetas emagrecedoras em crianças e adolescentes
Sociedade Brasileira de Pediatria adverte sobre os riscos do uso estético de análogos do GLP-1, que podem comprometer o crescimento e desencadear transtornos alimentares em jovens
29/08/2026 09h21
Por: Vanilson Brito

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) acendeu um sinal de alerta máximo para pais e profissionais da saúde ao publicar uma nota técnica detalhando os graves riscos do uso inadequado de medicamentos análogos do GLP-1 em crianças e adolescentes. Popularizadas sob o apelido de "canetas emagrecedoras", substâncias como a semaglutida e a tirzepatida, bases de remédios conhecidos como Ozempic e Mounjaro, têm enfrentado um cenário de forte banalização.

Impulsionados por conteúdos virais e, frequentemente, desinformações disseminadas em redes sociais, jovens com peso perfeitamente adequado estão recorrendo a essas terapias injetáveis em busca de padrões estéticos imediatos, ignorando que se trata de tratamentos complexos voltados para doenças crônicas e metabólicas graves.

Diante do avanço dessa prática sem o devido critério, os especialistas da SBP defendem, inclusive, o abandono imediato do termo "canetas emagrecedoras" para reforçar o caráter estritamente clínico da obesidade e do diabetes tipo 2. O uso indiscriminado na juventude impõe perigos severos que vão muito além dos enjoos e vômitos comuns a essa classe de fármacos.

Esses medicamentos atuam diretamente na indução da saciedade e no retardamento do esvaziamento gástrico, a redução drástica e sem controle do apetite pode provocar um deficit nutricional crônico. Em indivíduos em fase de crescimento, essa privação calórica ameaça o desenvolvimento ósseo, a evolução saudável da puberdade e a própria estatura final do paciente.

Outro fator alarmante identificado pelos pediatras é o impacto direto sobre a composição corporal e a saúde mental dos adolescentes. A perda de peso acelerada e desassistida costuma sacrificar a massa magra e os tecidos musculares em desenvolvimento, comprometendo a força, a disposição e o rendimento físico dos jovens.

Paralelamente, a introdução de um forte inibidor de apetite em uma fase em que a relação com o próprio corpo ainda está em formação gera distorções psicológicas profundas. Especialistas apontam que o uso puramente estético atua como um gatilho perigoso para o desenvolvimento ou o agravamento de transtornos alimentares e a adesão a dietas severamente restritivas.

Embora a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já tenha aprovado medicamentos como a liraglutida, a semaglutida e a tirzepatida para faixas pediátricas específicas, variando entre 10 e 12 anos conforme o diagnóstico, a SBP reforça de forma categórica que a prescrição médica nunca deve ser o primeiro passo