Justiça Condenação
Tribunal do Júri sentencia réu a 16 anos de reclusão em regime fechado por assassinato de companheira
Decisão judicial encerra processo sobre crime brutal cometido no interior do MA; conselho de sentença rejeitou teses da defesa e acolheu integralmente a denúncia de violência de gênero.
27/08/2026 08h58
Por: Milton Vieira
Foto: Reprodução/Internet

A Justiça brasileira deu mais uma resposta firme no enfrentamento à violência de gênero com a condenação de Adriano Carvalho Pires, conhecido como "Neguim" a 16 anos de prisão em regime fechado pelo crime de feminicídio. A sessão do Tribunal do Júri de Santa Quitéria, que sacramentou o veredito, foi conduzida no âmbito da Vara Única da comarca, consolidando o entendimento do Conselho de Sentença acerca da gravidade e da motivação do homicídio qualificado.

Dinâmica e gravidade do crime

De acordo com os autos do processo investigatório conduzido pela Polícia Civil e chancelado pelo Ministério Público, o crime ocorreu na residência do casal na sequência de uma discussão banal que rapidamente escalou para episódios de violência extrema. O relatório aponta que o réu, identificado nos registros jurídicos, agrediu fisicamente a companheira — identificada como Maria dos Aflitos — antes de apurar uma arma branca e desferir golpes fatais, concentrados majoritariamente na região do pescoço, o que impossibilitou qualquer chance de defesa ou socorro imediato à vítima.

Durante os debates em plenário, a defesa tentou emplacar teses alternativas, incluindo a alegação de que o óbito teria ocorrido por um acidente no momento em que ele supostamente tentava desarmar a vítima. No entanto, os jurados rechaçaram os argumentos, compreendendo que o conjunto probatório demonstrava claramente a intenção homicida e o desdobramento típico de um cenário de violência doméstica estrutural.

Fuga, captura e responsabilização penal

Logo após consumar o ato violento, o autor empreendeu fuga com o apoio logístico de um familiar, buscando se esconder em uma zona rural distante da sede do município. Apesar da tentativa de evadir-se da aplicação da lei, as forças de segurança pública — através de diligências coordenadas da Polícia Militar — conseguiram rastrear e capturar o foragido no povoado Cana Brava, reintegrando-o ao sistema penal para responder perante o Tribunal do Júri.

Ao prolatar a sentença definitiva fixada em 16 anos de reclusão, a magistrada responsável destacou a necessidade de cumprimento inicial da pena em regime fechado, negando ao réu o direito de recorrer em liberdade, uma medida acentuada pela repercussão social do caso e pela garantia da ordem pública. O desfecho reforça o rigor do Código Penal brasileiro no tocante aos crimes cometidos contra mulheres em razão do gênero.