A Universidade Estadual do Ceará (Uece) determinou a suspensão de 11 alunos da graduação em Filosofia após a ocupação de uma sala localizada no Centro de Humanidades, no campus Fátima, em Fortaleza. Outros três estudantes receberam advertência formal por escrito. O espaço em questão havia sido redirecionado pela direção da unidade para abrigar um projeto de extensão universitária.
A deliberação administrativa ocorreu após sete meses de apuração por uma comissão formada por dois docentes e um representante estudantil. Os afetados foram notificados no início da semana, o que gerou repercussão e contestação entre a comunidade acadêmica.
Origem do conflito
Conhecida informalmente pelos alunos como "salinha dos estudantes", a área era utilizada desde 2019 para repouso no intervalo das aulas e realização de atividades culturais, como exibições de filmes, palestras e ensaios teatrais.
Foto: Reprodução/Internet
Durante o recesso letivo no final de 2025, a direção do Centro de Humanidades trancou o local com o objetivo de instalar a infraestrutura do projeto "Complexo da Cultura Alimentar" — iniciativa voltada ao fornecimento de refeições para discentes em situação de vulnerabilidade social. Sem acordo após reuniões de negociação, um grupo de alunos organizou uma ocupação no espaço, que se estendeu de 9 de dezembro de 2025 a 14 de janeiro de 2026.
Investigação policial e arquivamento na Justiça
Na época, os acadêmicos foram denunciados por suspeita de crime contra a administração pública, arrombamento de fechaduras, pichações e avarias em equipamentos destinados à cozinha da extensão.
No entanto, após análise do inquérito instaurado pela Polícia Civil, o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) manifestou-se pelo encerramento das apurações por ausência de elementos comprobatórios de autoria e danos. Em abril de 2026, a Justiça acolheu a solicitação do MPCE e determinou o arquivamento definitivo do processo criminal.
Aplicações das sanções e impacto aos estudantes
Apesar do encerramento na esfera judicial, o processo administrativo interno da instituição prosseguiu, culminando nas seguintes penalidades:
- Suspensão de três meses: aplicada a 5 estudantes;
- Suspensão de dois meses: aplicada a 6 estudantes;
- Repreensão por escrito: aplicada a 3 estudantes.
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Entre as principais apreensões dos discentes punidos está o possível corte de bolsas acadêmicas durante o período de afastamento. Segundo relatos de alunos afetados, o auxílio financeiro é indispensável para o custeio de despesas básicas diárias, como alimentação, moradia e contas de consumo.
Em nota, a Uece informou que o cumprimento das suspensões começará após a conclusão das notificações formais a todos os envolvidos, sem data exata fixada até o momento.