Saúde PREVENÇÃO
Ministério da Saúde incorpora teste FIT para rastreamento de câncer colorretal no SUS
Exame que detecta sangue oculto nas fezes sem necessidade de restrição alimentar funcionará como filtro para a realização de colonoscopias na faixa etária de 50 a 75 anos.
11/08/2026 16h49 Atualizada há 2 horas
Por: Alline Portela

O Sistema Único de Saúde (SUS) incorporou o teste imunoquímico fecal (FIT) para o rastreamento do câncer colorretal em pessoas de 50 a 75 anos que não apresentam sintomas.

Anunciada originalmente em maio, a decisão foi formalizada e publicada no Diário Oficial da União, estabelecendo um prazo de até 180 dias para que o governo efetive a oferta do procedimento na rede pública.

O FIT atua identificando a presença de sangue oculto nas fezes, que é invisível a olho nu. Um resultado positivo pode apontar desde pólipos e lesões pré-malignas até o próprio câncer, servindo como um filtro essencial para definir quais pacientes devem ser encaminhados para a realização da colonoscopia — exame capaz de investigar a origem do sangramento e retirar lesões.

 

Vantagens e funcionamento do novo teste

Segundo o coloproctologista Hélio Moreira, da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP), o FIT chega para evitar que toda a população na faixa etária elegível seja direcionada diretamente à colonoscopia.

Embora simples, a colonoscopia possui alta demanda na rede pública e exige uma preparação rigorosa do paciente para esvaziar o intestino.

O especialista destaca que o FIT substitui o método químico antigo, que sofria interferência de alimentos e podia gerar falsos positivos.

Como o novo teste é imunoquímico, ele detecta especificamente a hemoglobina humana, dispensando qualquer restrição alimentar antes da coleta.

O procedimento é prático: o paciente recebe o kit, realiza a coleta em casa e entrega o material na Unidade Básica de Saúde (UBS).

Apesar do avanço, especialistas alertam que pessoas com sinais de alerta — como sangue visível nas fezes, mudanças drásticas no hábito intestinal ou perda de peso — não devem passar pelo rastreamento com FIT, mas sim buscar avaliação médica direta.

Para a efetividade da medida, a SBCP aponta que a ampliação do rastreamento precisará vir acompanhada de investimentos para aumentar a oferta de colonoscopias no SUS.