O debate entre os candidatos ao Governo do Piauí nas Eleições 2026 expôs profundas divergências sobre os rumos econômicos e a eficiência dos serviços públicos no estado. Provocados por questionamentos sobre a alta carga tributária do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em uma região onde o salário médio da população é de R$ 1.350, os postulantes ao Palácio de Karnak dividiram-se entre a defesa de indicadores macroeconômicos, propostas de agregação de valor ao agronegócio e duras críticas de cunho ético e social
Ao responder sobre o equilíbrio das finanças estaduais, o candidato Gustavo Henrique (Avante) defendeu que seu plano de governo foca em agregar valor à produção de grãos dos cerrados piauienses para gerar empregos locais, em vez de apenas exportar matéria-prima. No entanto, o candidato utilizou a maior parte de seu tempo para desferir ataques diretos ao oposicionista Joel Rodrigues (Progressistas)
Gustavo Henrique preferiu a estratégia indireta, quando questionou os limites éticos de Rodrigues, construindo a narrativa que ele atuou recentemente como cargo comissionado no gabinete do senador Ciro Nogueira, a quem vinculou a investigações da Polícia Federal envolvendo o Banco Master. Com isso Gustavo deixou o público reativo à falta de propostas concretas de seu plano de governo
O debate ganhou contornos dramáticos no bloco voltado ao agronegócio e aos serviços essenciais. Ao ser questionada sobre propostas para fortalecer o setor de grãos, algodão e minérios, a Lúcia Santos (PSDB), argumentou que o desenvolvimento agrícola está diretamente travado pelo ICMS do Piauí, classificado como um dos mais altos do país. Em tom de desabafo, a candidata oposicionista criticou a postura de Gustavo Henrique (Avante), acusando-o de "passar pano" para a real situação do estado e de fingir que setores vitais funcionam bem