Polícia DIGNIDADE
Dois caseiros são resgatados de situação análoga à escravidão em propriedades rurais de José de Freitas
Auditoria-Fiscal do Trabalho identificou graves violações trabalhistas durante fiscalização; casos são acompanhados pelo Ministério Público do Trabalho e um dos empregadores firmou acordo para indenizar a vítima.
07/08/2026 14h20
Por: Eduardo Silva

Dois trabalhadores rurais foram resgatados de condições análogas à escravidão em propriedades localizadas no município de José de Freitas, no Norte do Piauí. As ações ocorreram nos dias 21 e 22 de julho e foram divulgadas pela Auditoria-Fiscal do Trabalho, que classificou os casos como os primeiros resgates envolvendo trabalhadores domésticos rurais registrados no estado.

Segundo a fiscalização, um dos trabalhadores permaneceu por aproximadamente cinco anos atuando como caseiro, realizando serviços de manutenção da propriedade, manejo de animais e produção de silagem, sem receber salário. A investigação apontou que ele vivia em situação de vulnerabilidade e dependência do empregador, que havia prometido construir uma nova residência para a vítima, compromisso que nunca foi cumprido.

Após a fiscalização, o proprietário reconheceu o vínculo empregatício e firmou um Termo de Ajuste de Conduta, comprometendo-se a pagar R$ 100 mil ao trabalhador, além de cumprir obrigações trabalhistas, como registro em carteira, pagamento regular de salários, fornecimento de equipamentos de proteção e melhoria das condições de alojamento.

O segundo resgate envolveu um trabalhador de 63 anos que foi levado para uma propriedade rural sob a promessa de se recuperar de uma cirurgia ocular. No entanto, acabou submetido a atividades pesadas, como manejo de animais, manutenção de cercas e vigilância da fazenda. Durante o período de trabalho, enfrentou sérios problemas de saúde e perdeu totalmente a visão de um dos olhos.

Ainda conforme a Auditoria-Fiscal do Trabalho, o empregador prometia remuneração mensal de R$ 500, mas realizava descontos por alimentação, alojamento e outras despesas, deixando o trabalhador com cerca de R$ 30 por mês. O responsável foi notificado, porém não apresentou a documentação exigida e deixou de acompanhar o processo, que segue sob investigação do Ministério Público do Trabalho.

As autoridades reforçam que casos de trabalho análogo à escravidão podem ser denunciados de forma anônima por meio do Sistema Ipê, plataforma nacional destinada ao recebimento de denúncias sobre violações trabalhistas.