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Da lavoura ao copo: Dia Internacional da Cerveja destaca força do agronegócio na cadeia produtiva
Celebrada nesta sexta-feira (7), a data joga luz sobre o impacto econômico da bebida no Brasil, impulsionado por quase 2 mil cervejarias, expansão da safra de cevada e novas apostas no cultivo nacional de lúpulo.
07/08/2026 10h38
Por: Alline Portela

Celebrado nesta sexta-feira (7), o Dia Internacional da Cerveja costuma ser marcado por brindes, encontros entre amigos e a apreciação de diferentes rótulos. No entanto, muito antes de chegar ao copo, a bebida percorre uma longa jornada que tem suas raízes fincadas diretamente no agronegócio.

Cevada, malte, lúpulo e outros insumos agrícolas integram uma robusta estrutura que conecta produtores rurais, centros de pesquisa, maltarias, transportadores e o varejo.

No Brasil, essa engrenagem ganhou escala com a consolidação de um mercado cada vez mais diversificado, que une grandes grupos, marcas regionais e centenas de produtores artesanais.

O mercado nacional vive um momento de forte expansão. Dados recentes do setor indicam que o país registrou 1,954 cervejarias em 2025, espalhadas por 794 municípios. Esse espalhamento mostra que a produção deixou de se concentrar apenas nos grandes polos industriais, ganhando força no interior de diferentes estados.

Com milhares de marcas e uma produção anual na casa dos bilhões de litros, o avanço da indústria reflete diretamente na demanda por matérias-primas agrícolas de alta qualidade e com fornecimento regular.

 

Desafios no campo: cevada e o potencial de expansão

Entre os ingredientes essenciais, a cevada ocupa posição estratégica. Após a colheita, o cereal passa pela maltagem — processo controlado de germinação e secagem que dá origem ao malte, componente vital para a cor, o corpo, o aroma e a fermentação da cerveja.

 

O lúpulo brasileiro ganha espaço

Outro pilar da fabricação é o lúpulo, responsável pelo amargor e por aromas marcantes da bebida. Tradicionalmente importado na quase totalidade, o ingrediente tem despertado o interesse de produtores e pesquisadores nacionais.

Embora o cultivo comercial ainda ocupe áreas reduzidas, ele atrai olhares pelo elevado valor agregado. O grande desafio da atividade reside no rigor do manejo — que exige estruturas específicas, irrigação controlada e genética adaptada ao clima brasileiro —, demandando profissionalização e forte apoio de pesquisa.

 

Da porteira ao mercado internacional

A cadeia econômica da cerveja vai muito além das lavouras e das fábricas. Ela movimenta empresas de beneficiamento, fabricantes de equipamentos, laboratórios, indústrias de embalagens e uma extensa rede logística.

Além de abastecer o mercado interno, o produto brasileiro ganha relevância além-fronteiras: em 2025, as exportações do setor superaram US$ 200 milhões, levando rótulos nacionais a dezenas de países.

Portanto, por trás de cada brinde neste Dia Internacional da Cerveja, há o trabalho integrado de cientistas, produtores rurais, maltreiros e industriais — provando que a história de uma das bebidas mais consumidas do mundo começa, obrigatoriamente, dentro da porteira.