Política Racha
O Racha no Avante ameaça chacoalhar as eleições no Piauí
O racha no Avante gera impactos profundos e imediatos na arquitetura política do Piauí
07/08/2026 05h12
Por: Vanilson Brito

O encerramento do prazo das convenções partidárias consolidou um cenário de racha absoluto dentro do Avante no Piauí. O que era uma divergência interna escalou para uma severa batalha jurídica pelo comando da sigla, culminando na realização de duas convenções estaduais paralelas e em rumos políticos completamente opostos para o pleito deste ano. Caos diretivo, acusações de infidelidade partidária e candidaturas duplicadas agora colocam o partido sob o risco de uma canetada da Justiça Eleitoral.

De um lado da trincheira está o servidor público Gustavo Henrique, que presidia a comissão provisória do partido desde março. Apoiado por uma decisão liminar obtida na Justiça Eleitoral, Gustavo Henrique contesta o encerramento abrupto de seu mandato pela Executiva Nacional. Ele realizou sua convenção partidária no fim de julho, oficializando-se como candidato ao Governo do Piauí, além de lançar Pastor Sena e Irmão Zé Freire ao Senado. Gustavo Henrique acusa abertamente seus opositores locais de "infidelidade partidária" por apoiarem nomes de outras siglas.

Do outro lado, respaldado diretamente pela Executiva Nacional do Avante, figura o ex-vereador de Teresina Antônio José Lira, nomeado vice-presidente de uma nova junta provisória encabeçada por Adiel Rodrigues Brito. Ignorando os atos de Gustavo Henrique, o grupo de Antônio José Lira realizou uma segunda convenção, anunciando uma aliança majoritária com o Partido Novo. Nessa composição, o Avante formalizou o apoio a Elizeu Aguiar (Novo) para governador e registrou o próprio Antônio José Lira como candidato ao Senado na chapa de oposição.

O racha no Avante gera impactos profundos e imediatos na arquitetura política do Piauí:

Como o prazo de registro final vai até o dia 15 de agosto, caberá ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PI) julgar qual das duas atas partidárias possui validade jurídica. Se a convenção de Gustavo Henrique for anulada, o partido perde o candidato ao governo; se a de Antônio José Lira cair, desmorona-se a coligação montada com o Novo.

Pré-candidatos a deputado federal e estadual que se filiaram ao partido encontram-se em um limbo, sem saber se suas candidaturas serão homologadas ou impugnadas devido à duplicidade de comandos.

O racha fragmenta a legenda entre a base governista local (com a qual Gustavo Henrique buscava pontes de diálogo) e o bloco de oposição conservadora (capitaneado pela aliança entre Antônio José Lira e o Novo).

Com o imbróglio jurídico e a aliança firmada entre Avante e Novo, a participação de Gustavo Henrique está formalmente cancelada para o primeiro debate na televisão piauiense entre os candidatos ao Governo do Piauí, promovido pela TV Band Piauí. O confronto direto acontecerá ao vivo.

Enquanto o primeiro embate na TV não começa, os bastidores jurídicos de Teresina continuam fervendo. Apenas a canetada final da Justiça Eleitoral definirá se o Avante marchará rumo às urnas com cabeça de chapa própria ou como coadjuvante na oposição.