Cidades Investigação
Prefeito do MA é alvo de operação da PF que tambémmira familiares de senador
Segundo a Polícia Federal, a empresa Qualitech Engenharia Ltda., ligada a Fred Campos, teria movimentado valores milionários no circuito financeiro relacionado ao núcleo de Weverton Rocha.
04/08/2026 16h14
Por: Fabio Brito Fonte: G1 Maranhão

O prefeito de Paço do Lumiar, Frederico de Abreu Silva Campos, conhecido como Fred Campos, foi um dos alvos da nova fase da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que mira um esquema nacional de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A operação, realizada nesta terça-feira (4), mirou suspeitos de lavar dinheiro obtido de forma criminosa a partir da fraude. Entre os alvos estão a esposa, a filha e duas irmãs do senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo no Senado, e o advogado Willer Tomaz.

Segundo a Polícia Federal, Fred Campos é investigado por sua ligação com a Qualitech Engenharia Ltda., empresa que teria movimentado valores milionários no circuito financeiro relacionado ao núcleo de Weverton Rocha.

Fundada em 1993, a empresa Qualitech Engenharia Ltda. tem como sócios Fred Campo e o pai dele, Flávio Henrique Silva Campos.

Segundo a decisão, a qual o g1 teve acesso, a Qualitech transferiu R$ 5 milhões para a empresa Petro São Francisco Combustíveis Ltda. em julho de 2024. No mesmo dia, o posto de combustíveis repassou a mesma quantia para a DJ Agropecuária Comércio e Prestação de Serviços Ltda.

A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro e organização criminosa. As informações descritas na decisão são hipóteses investigativas apresentadas pela Polícia Federal e não representam condenação dos envolvidos.

Weverton diz que movimentações citadas pela PF em investigação são legais: 'Nada a esconder'
Fred Campos afirmou, em postagem nas redes sociais, que foi surpreendido por uma apuração envolvendo um repasse realizado por uma de suas empresas, a Petro São Francisco. Ele afirmou que o repasse "é resultado de um contrato de arrendamento e não há qualquer ilegalidade. Se toda a documentação tivesse sido solicitada, ela teria sido apresentada prontamente".

"Quero tranquilizar a todos: nossas empresas seguem funcionando normalmente e reafirmo que o nosso trabalho por Paço continua. Já estamos adotando todas as medidas jurídicas cabíveis para esclarecer os fatos", afirmou.

Fred Campos já havia sido alvo de outra operação da Polícia Federal. Em agosto de 2024, durante a campanha para a Prefeitura de Paço do Lumiar, ele foi investigado na Operação 18 Minutos, que apurava a suposta comercialização de decisões judiciais no Maranhão.

Naquela fase, a PF também cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a familiares de Fred Campos e a uma empresa do grupo empresarial da família.

Transferência de R$ 5 milhões
De acordo com a decisão do STF, a Qualitech aparece na investigação como uma possível fonte intermediária de recursos destinados à estrutura empresarial ligada ao núcleo de Weverton Rocha.

Além da transferência de R$ 5 milhões, outros valores provenientes da Qualitech teriam entrado nas contas investigadas antes de serem enviados à Rocha Holding Patrimonial Ltda. e a uma empresa relacionada a Erlânio Furtado Luna Xavier.

Erlânio é descrito no documento como sócio ou parceiro relevante nos postos Petro São Francisco e Petro São José. A decisão não informa os valores dessas outras operações atribuídas à Qualitech.

Para a Polícia Federal, as movimentações precisam ser analisadas para esclarecer a origem do dinheiro, a justificativa dos pagamentos e quem teria sido o beneficiário final dos recursos.

Ligação com a Qualitech
Fred Campos foi incluído entre os alvos da investigação devido à sua vinculação com a Qualitech Engenharia.

Ao analisar o pedido da Polícia Federal, André Mendonça afirmou que a representação não atribui a Frederico uma atuação direta na estrutura supostamente comandada pelo advogado Willer Tomaz de Souza, outro investigado no caso. O ministro considerou, no entanto, que existe um vínculo objetivo entre Frederico e os fatos investigados, em razão da posição dele na empresa que teria originado recursos de grande valor.

A investigação busca esclarecer:

quais contratos justificariam os pagamentos;
se houve faturamento correspondente;
qual era a origem dos recursos;
qual foi a finalidade das transferências;
quem seria o beneficiário final dos valores;
e se as operações comerciais ocorreram de fato.
Segundo a decisão, as buscas poderão confirmar a existência de negócios comerciais regulares ou indicar um eventual uso da Qualitech como canal para alimentar o circuito financeiro investigado.

STF autorizou apreensão de documentos e equipamentos
A decisão autorizou a Polícia Federal a procurar contratos, notas fiscais, comprovantes, comunicações, registros contábeis e bancários relacionados às movimentações investigadas.

Também poderão ser apreendidos celulares, computadores, tablets, discos rígidos, dispositivos de armazenamento, agendas, planilhas, documentos fiscais, procurações, escrituras e certificados digitais que tenham relação objetiva com os fatos apurados.

Os investigadores foram autorizados a acessar dados já armazenados nos aparelhos apreendidos, além de conteúdos existentes em serviços de nuvem, desde que sejam acessíveis por meio de credenciais disponíveis nos equipamentos.

André Mendonça proibiu o acesso indiscriminado a informações sem relação com a investigação. A decisão também não autoriza a interceptação de comunicações futuras, nem a ativação remota de câmeras ou microfones.