Em resposta a uma crise migratória sem precedentes, o governo da Espanha anunciou nesta sexta-feira (31/7) o envio de forças militares a Ceuta, no norte da África, para restaurar a ordem na fronteira com o Marrocos.
A medida drástica ocorre após uma onda avassaladora de migrantes cruzar o limite territorial nos últimos dias. Estimativas do Ministério do Interior espanhol indicam que mais de 49 mil pessoas entraram no território a pé ou a nado, resultando na morte trágica de ao menos 18 pessoas durante a travessia marítima.
Em meio à crise, o presidente espanhol Pedro Sánchez viajará nesta sexta a Ceuta, segundo informou a agência de notícias EFE. O Ministério do Interior da Espanha afirmou que o governo marroquino está “cooperando estreitamente” para lidar com a situação e que a polícia marroquina está impedindo que “numerosas pessoas” tentem atravessar a fronteira.
A maioria dos migrantes partiu da cidade marroquina de Fnideq, situada a cerca de cinco quilômetros de distância, utilizando boias, contornando quebra-mares ou escalando as cercas que dividem os dois países.
Imagens divulgadas por agências de notícias e emissoras de TV capturaram um fluxo ininterrupto de pessoas chegando à costa espanhola. Embora a maior parte do grupo fosse composta por jovens do sexo masculino, também foi registrada a presença de famílias acompanhadas de mulheres e crianças pequenas.
A infraestrutura local do pequeno território de 18,5 quilômetros quadrados e 85 mil habitantes colapsou diante do volume de chegadas. Representantes das forças de segurança locais relataram um cenário de caos absoluto, no qual os agentes da Guarda Civil e da polícia não conseguiram conter a multidão, limitando-se, em muitos pontos, a apenas monitorar a entrada dos migrantes para evitar novas tragédias na água.
Lideranças civis e de direitos humanos descreveram a situação na fronteira de Tarajal como extraordinária. De acordo com Rachid Sbihi, representante da associação de guardas civis em Ceuta, a linha de controle “colapsou totalmente”.