A madrugada desta sexta-feira (31) reserva um espetáculo para os entusiastas da astronomia. A chuva de meteoros Delta Aquáridas do Sul atinge seu ponto máximo de atividade e, sob condições favoráveis, permitirá a observação de até 25 meteoros por hora.
As informações são da Agência Espacial Brasileira (AEB), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
De acordo com o astrônomo Marcelo De Cicco, membro da Sociedade Brasileira de Astronomia e coordenador do projeto comunitário de detecção de meteoros Exoss, o ápice da visualização ocorrerá entre 1h30 e 2h da manhã.
Embora a iluminação da Lua Cheia vá reduzir o contraste do céu e dificultar a visão dos rastros mais fracos, os meteoros mais intensos continuarão bem visíveis a olho nu, sem necessidade de telescópios ou binóculos.
Para aproveitar melhor a experiência, a recomendação dos especialistas é procurar locais afastados da iluminação urbana e com ampla visão do horizonte. "A observação de meteoros é amadora e vista a olho nu. Você precisa de uma cadeira confortável, um cobertorzinho para não passar frio, um chocolate quente e olhar para o céu", orienta De Cicco.
Aqueles que desejarem registrar o fenômeno em fotos devem direcionar a câmera para uma área distante da Lua, configurando o equipamento com ISO elevado e exposição prolongada de aproximadamente 10 segundos.
A janela de maior atividade das "estrelas cadentes" pode se estender entre as madrugadas de quinta para sexta-feira e de sexta para sábado.
As chuvas de meteoros ocorrem anualmente no momento em que a Terra cruza regiões do espaço contendo fragmentos deixados por cometas ou asteroides. Ao entrarem na atmosfera terrestre em velocidades que variam entre 40 mil km/h e 260 mil km/h (11 a 72 km/s), até mesmo partículas do tamanho de grãos de areia se aquecem intensamente, gerando o clássico efeito luminoso.
Apesar de a Delta Aquáridas do Sul ser a atração principal do Hemisfério Sul neste período, observadores também poderão notar fragmentos de outras duas chuvas ativas: a Alfa Capricornídeos — conhecida por produzir rastros mais lentos e por vezes coloridos — e a Perseidas, que começa a dar os primeiros sinais no horizonte.
A maioria dessas luzes cruza o céu em uma fração de segundo, mas meteoros que entram em ângulos mais rasos podem durar mais tempo. Caso o brilho da rocha espacial supere a luminosidade do planeta Vênus, o fenômeno passa a ser classificado tecnicamente como um bólido.
Para quem perder o pico deste fim de semana, a próxima oportunidade marcante no calendário astronômico acontecerá no dia 12 de agosto, com o auge da chuva Perseidas. No Brasil, ela será mais visível nas regiões Norte e Nordeste.
No mesmo dia, também ocorrerá um eclipse solar total, cuja visualização estará restrita a partes da Europa.