A Polícia Civil deflagrou a Operação Miragem nesta segunda-feira (20) com o objetivo de desarticular uma organização criminosa suspeita de aplicar o chamado "golpe do seguro". Ao todo, estão sendo cumpridos 34 mandados de busca e apreensão expedidos para seis estados brasileiros. A identidade dos investigados não foi divulgada pelas autoridades, e o balanço final das apreensões será apresentado após a análise detalhada de todo o material recolhido.
De acordo com as investigações da Polícia Civil, o grupo criminoso agia de forma estratégica atraindo pessoas específicas para viabilizar as fraudes:
Aliciamento de vítimas: A quadrilha focava em pessoas em situação de vulnerabilidade financeira ou que possuíam restrições de crédito.
Falsos registros na internet: Essas pessoas eram orientadas a registrar boletins de ocorrência ideologicamente falsos de roubo utilizando a plataforma da Delegacia Eletrônica.
Fraude e divisão dos valores: Com os documentos em mãos para dar aparência de legitimidade, os criminosos davam entrada em pedidos de indenização junto a bancos e seguradoras. Assim que os valores eram liberados, o dinheiro entrava nas contas dos envolvidos e era dividido entre os líderes do esquema e os intermediários.
O estopim para o início das investigações ocorreu quando a polícia identificou um volume de registros totalmente incompatível com a realidade local. Em um intervalo de apenas 40 dias, foram contabilizados 33 falsos registros eletrônicos de roubo, e todos eles apontavam para um mesmo endereço: um condomínio de luxo situado no Guarujá, no litoral de São Paulo.
Diante dos fortes indícios de fraude, a Justiça autorizou a quebra do sigilo bancário dos suspeitos, bem como o bloqueio de seus ativos financeiros. As ordens judiciais de busca e apreensão foram cumpridas simultaneamente nos estados do Pará, Ceará, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e São Paulo. Em território paulista, os alvos localizavam-se na capital e nos municípios de Taboão da Serra, Diadema, Itapecerica da Serra, Paulínia, Praia Grande e São Roque.
A meta principal da operação agora é mapear o fluxo financeiro total do grupo, identificar todos os membros da rede e recuperar os valores obtidos de forma ilegal.