Brasil Fratura em hospital
Família denuncia fratura de fêmur em recém-nascida no Hospital Regional Tibério Nunes no Piauí
Pais relatam que ouviram estalo durante cesárea e acusam negligência em Floriano; Sesapi afirma que condutas seguiram protocolos vigentes
20/07/2026 19h17
Por: Vanilson Brito

O nascimento da pequena Aysha, hoje com pouco mais de dois meses, era aguardado com muita alegria pelos pais, Cíntia Maria, de 24 anos, e Welyton Izaky, que já têm um filho juntos. No entanto, no dia 4 de maio deste ano, o que deveria ser um momento de celebração se transformou em um pesadelo durante o parto cesáreo realizado no Hospital Regional Tibério Nunes, em Floriano, no Sul do Piauí.

Segundo o casal, durante a retirada da bebê, todos na sala de cirurgia ouviram um estalo no exato momento em que o obstetra puxou uma das pernas da recém-nascida, quebrando o fêmur da criança. Apesar do barulho, Cíntia afirma que o caso não recebeu a devida atenção imediata do médico, que apenas justificou ter tido dificuldade para retirar a bebê e repassou a avaliação para o pediatra do hospital.

A negligência apontada pela família teria continuado após o parto, já que o pediatra descartou complicações iniciais e encaminhou a recém-nascida para um ortopedista que só realizou o exame dois dias depois. Nesse período, a coxa da bebê ficou bastante inchada e ela chorava constantemente de dor, enquanto os pais clamavam desesperadamente para que as enfermeiras chamassem o especialista com urgência.

a realização de um raio-x, a fratura foi confirmada e a perna da menina foi engessada. Contudo, devido ao intenso desconforto provocado pelo gesso, a equipe médica optou por substituí-lo por um suspensório, equipamento que precisou ser custeado pelos próprios pais, pois o hospital não ofereceu suporte financeiro para a compra.

Aysha utilizou o suspensório por um mês e onze dias, retirando-o após o osso apresentar os primeiros sinais de cicatrização. Apesar da evolução do quadro, a bebê ainda precisará passar por novas consultas e exames para monitorar possíveis sequelas e avaliar a necessidade de fisioterapia, gerando ainda mais preocupações financeiras para a família.

Entre os transtornos enfrentados pelo casal estão os gastos com medicamentos, as idas frequentes ao hospital e o fato de Welyton ter precisado deixar o emprego de vendedor para ajudar nos cuidados de Cíntia e da filha. Para a mãe, o momento que deveria ser marcado apenas por alegria e amor resultou em dor, medo e marcas físicas na criança, além de traumas emocionais profundos nela mesma.

Procurada para prestar esclarecimentos, a Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi) divulgou uma nota de esclarecimento emitida pelo Hospital Regional Tibério Nunes. A unidade hospitalar informou que o caso está sendo tratado com responsabilidade e que uma análise técnica dos registros assistenciais indicou que todas as condutas adotadas seguiram os protocolos vigentes, contando com acompanhamento multiprofissional e exames necessários.

A nota ressalta ainda que intercorrências médicas podem acontecer mesmo quando a assistência é prestada de forma adequada, especialmente em procedimentos de maior complexidade, de modo que não é possível atribuir a lesão, de forma isolada, a uma falha na assistência da equipe.