Mais de 100 pessoas suspeitas de fornecer voluntariamente dados pessoais, biometria e outras informações cadastrais para os investigados na Operação Chip Falso serão intimadas a prestar esclarecimentos ao Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos. A informação foi divulgada pelo delegado Humberto Mácola, que confirmou que cerca de 110 pessoas foram identificadas nessa situação. De acordo com a polícia, esses indivíduos não podem ser classificados, neste momento da investigação, como integrantes diretos do grupo criminoso, mas precisarão explicar o motivo de terem cedido seus dados para a quadrilha.
A operação policial tem como alvo uma organização criminosa especializada em assumir o controle de linhas telefônicas sem autorização para invadir contas bancárias, clonar perfis de aplicativos de mensagens e aplicar golpes financeiros em diversos estados do país. Ao todo, dez pessoas já foram presas durante a ação. As investigações revelaram que o grupo mantinha uma central de operações em uma residência no bairro Monte Castelo, na Zona Sul de Teresina, que foi apelidada pelos policiais de "Casa da Fraude". Nesse local, os suspeitos abordavam pessoas para obter documentos físicos, CPFs e dados biométricos, que posteriormente eram usados para burlar os sistemas de segurança das operadoras de telefonia.
De posse dessas informações pessoais, os investigados realizavam uma fraude conhecida como SIM Swap, que consiste na transferência ilegal e não autorizada de um número de telefone para um novo chip controlado pelos próprios criminosos. Com o controle da linha telefônica da vítima, o grupo conseguia receber códigos de autenticação em duas etapas enviados por SMS, facilitando a invasão de contas bancárias e perfis de WhatsApp. A partir daí, os golpistas realizavam transferências indevidas, faziam compras com os cartões das vítimas e se passavam por elas para aplicar golpes financeiros em familiares, além de realizarem fraudes como a do falso advogado.
A Polícia Civil do Piauí também busca capturar a ex-funcionária de uma operadora de telefonia Rosana Rodrigues da Silva, que é considerada foragida e apontada como uma das principais articuladoras do esquema. Segundo o delegado Humberto Mácola, a investigada desempenhava um papel fundamental na organização criminosa, pois utilizava credenciais ativas de gerentes da empresa de telefonia para efetivar as alterações de titularidade das linhas das vítimas dentro do sistema, viabilizando todo o processo da fraude.