Meio Ambiente CLIMA
El Niño forte até 2027: Seca ameaça milho no Centro-Norte, enquanto excesso de chuva acende alerta fúngico no Sul
Boletim do Inmet projeta trimestre de extremos climatológicos; calor acelerará colheita de algodão, mas castigará pastagens e lavouras do semiárido.
14/07/2026 10h34
Por: Alline Portela

O trimestre de julho, agosto e setembro deve aprofundar a tendência de seca nas regiões centrais e em partes do Norte e Nordeste do Brasil, trazendo impactos diretos para a segunda safra de milho e para a recuperação das pastagens. Por outro lado, a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica a continuidade de chuvas fortes no Sul, no extremo norte do país e na faixa litorânea do Nordeste.

De acordo com o boletim divulgado pelo órgão, as condições climáticas seguem sob a forte influência do fenômeno El Niño (aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial), que deve persistir de forma intensa até fevereiro de 2027. Em contrapartida, as águas do Oceano Atlântico devem se manter em estado de neutralidade.

 

Centro-Oeste e Norte: calor extremo e aceleração da colheita

Nas regiões centrais e no Norte do país, o calor deve ganhar força, com temperaturas que podem registrar até 2°C acima da média histórica em estados como Amazonas, Acre, Pará, Roraima, Tocantins, Rondônia e Mato Grosso.

Impactos no Norte

Impactos no Centro-Oeste

 

Nordeste: calor de até 2°C acima da média e riscos no Semiárido

No Nordeste, as temperaturas devem subir substancialmente. Os maiores desvios são previstos para o Maranhão, extremo oeste da Bahia e o sudoeste e centro-norte do Piauí, com termômetros marcando até 2°C acima da média.

 

Sul: excesso de chuva e alerta para doenças fúngicas

Ao contrário do restante do país, a Região Sul deve registrar volumes de chuva significativos, com acumulados que podem superar 150 mm em julho e setembro, principalmente no norte do Rio Grande do Sul e sul de Santa Catarina.

Alerta fitossanitário: Embora o armazenamento de água no solo esteja alto (acima de 70%), a combinação de chuvas frequentes com a baixa luminosidade solar favorece o desenvolvimento de pragas e doenças fúngicas nas lavouras de inverno.

Além disso, o excesso de umidade no solo deve reduzir as janelas de trabalho dos produtores para aplicação de fertilizantes e defensivos agrícolas.

 

Sudeste: produtividade em alta, mas reservatórios sob pressão

O Sudeste deve registrar temperaturas cerca de 1°C acima da média histórica, mantendo as precipitações dentro do esperado, exceto no Espírito Santo e no nordeste de Minas Gerais, onde há previsão de déficit hídrico.

A previsão é favorável para as culturas de café, hortaliças e lavouras de inverno irrigadas. Contudo, o Inmet emitiu um sinal de alerta para o setor de recursos hídricos: a persistência de temperaturas elevadas deve aumentar significativamente o consumo de água, gerando uma forte pressão sobre os reservatórios da região.