A Feira da Agricultura Familiar do Estado do Piauí, realizada no espaço da Universidade Federal do Piauí (UFPI) em Teresina, consolidou-se como uma grande vitrine da diversidade produtiva do estado. Entre as inúmeras riquezas expostas, um produto em particular chamou a atenção e despertou a curiosidade dos visitantes nesta edição: o singular doce de fava.
A maior parte dessa produção tem origem no município de Tanque do Piauí, fruto do trabalho em pequenas fábricas artesanais. Uma das principais vozes por trás dessa iguaria é a trabalhadora rural Maria José, popularmente conhecida como Maria Lageiro, que assina a marca "Maria Lageiro Doces Artesanais".
O doce de fava carrega uma identidade puramente piauiense, sendo confeccionado a partir da massa da fava combinada ao leite do coco babaçu. Longe de ser apenas uma novidade de mercado, a receita é uma tradição familiar que já ultrapassa os 20 anos de história.
"É um produto original nosso, inventado por uma tia nossa e a minha avó Januária. Elas produziram esse doce primeiro só para degustação na casa", relembra Dona Maria José.
O que começou como um consumo familiar logo se transformou em uma importante fonte de renda para a região. O mercado gerado pelo doce passou a garantir o sustento de lares e o pagamento de estudos universitários para os jovens locais. Com o falecimento da matriarca, as netas assumiram o legado. Hoje, o grupo batizado de "Doce da Vovó Januária" é composto por quatro netas, que dão continuidade à receita originalmente criada por Maria de Jesus, filha de Januária.
Além de produzir os doces, Maria Lageiro destaca que sua rotina na roça se divide com o extrativismo e o beneficiamento do coco: ela atua como quebradeira de coco, produz pasta e extrai o óleo de babaçu.
O sucesso da matéria-prima na cidade de Tanque do Piauí abriu portas para a criatividade e a inovação culinária. A fava, tradicionalmente utilizada em pratos salgados, agora serve de base para uma linha diversificada de derivados que vem conquistando o comércio, incluindo:
A presença dessas iguarias na feira em Teresina não apenas compartilha o conhecimento ancestral das comunidades rurais, mas também comprova o potencial econômico e a versatilidade da agricultura familiar piauiense.