A família da recém-nascida que sofreu uma tentativa de sequestro na Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina, manifestou alívio com o retorno da bebê para casa. O caso aconteceu na tarde de segunda-feira e gerou forte comoção. Marcos Lima, tio da criança, desabafou sobre o sentimento de alívio ao ressaltar que, diante da gravidade da situação, o desfecho poderia ter sido trágico, mas que agora todos podem sorrir porque a menina está bem e em segurança com os familiares.
Apesar do alívio pelo resgate, o episódio abalou profundamente o estado emocional da mãe da recém-nascida. A jovem, que preferiu não ser identificada, relatou estar com o psicológico destruído e surpresa com a falta de segurança, já que a unidade era tida como uma referência protegida. No momento do ocorrido, a mãe se recuperava do parto no quarto enquanto sua irmã acompanhava o bebê para exames de rotina. Ao acordar, a jovem deparou-se com uma mulher desconhecida segurando sua filha e sua irmã chorando.
Após o susto, a família recebeu atendimento psicológico na própria maternidade, mas a mãe queixou-se de que uma psicóloga pediu para que ela ajudasse a instituição, o que foi prontamente rebatido pela irmã. A jovem também criticou a conduta da maternidade por fazê-los deixar o prédio pelos fundos para evitar a imprensa e revelou que, desde a alta, nenhum representante do hospital entrou em contato ou forneceu as imagens das câmeras de segurança solicitadas pela família.
No âmbito das investigações, a Polícia Civil do Piauí informou que o caso está sendo tratado inicialmente como tentativa de sequestro. O delegado Hugo Alcântara confirmou que as diligências estão em curso, a suspeita foi identificada e o vínculo funcional com o Estado está sendo verificado. Como reflexo imediato, a técnica de enfermagem apontada como suspeita de envolvimento foi formalmente afastada de suas funções administrativas e assistenciais.
Em posicionamento oficial, a Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa comunicou que registrou um Boletim de Ocorrência logo após o ocorrido e garantiu estar colaborando integralmente com a polícia, inclusive disponibilizando as imagens do circuito interno de monitoramento. A instituição reforçou que ofereceu suporte multiprofissional com assistentes sociais e psicólogos à família e que o afastamento da profissional permanecerá vigente até a conclusão do caso.
Paralelamente, o Conselho Regional de Enfermagem do Piauí emitiu uma nota afirmando que acompanhará de perto as investigações e abrirá procedimentos internos para apurar a conduta ética da técnica de enfermagem, prometendo punições rigorosas caso sejam comprovadas atitudes incompatíveis com o exercício legal da profissão.